Mato Grosso do Sul tem uma das maiores taxas de feminicídio do Brasil, aponta relatório
MS tem uma das maiores taxas de feminicídio do Brasil

Mato Grosso do Sul registra uma das maiores taxas de feminicídio do país

Um levantamento recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com as mais altas taxas de feminicídio em todo o território nacional. Os dados, que integram o relatório "Retrato dos Feminicídios no Brasil", divulgado nesta semana, mostram uma realidade alarmante no estado sul-mato-grossense.

Números preocupantes e crescimento dos casos

Entre os anos de 2021 e 2025, foram registrados 181 feminicídios em Mato Grosso do Sul. O período mais violento foi 2022, com 44 casos confirmados. Em 2025, o estado contabilizou 39 mortes, número superior ao do ano anterior, indicando uma tendência de aumento.

Quando analisada a taxa de crimes por 100 mil mulheres, a situação se torna ainda mais grave. Mato Grosso do Sul ocupa a terceira posição no ranking nacional, com 2,7 assassinatos para cada 100 mil mulheres, ficando atrás apenas do Acre e de Rondônia. Em 2025, essa taxa chegou a 2,6 mortes, mantendo o estado entre os piores indicadores do país.

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Características dos crimes e falhas na proteção

A análise dos últimos cinco anos revela que os registros de feminicídio cresceram mais de 14% em Mato Grosso do Sul. Segundo o relatório, a maioria dos crimes ocorreu dentro de casa, em contextos de violência doméstica. Os autores, na maior parte das ocorrências, eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

O estudo também destaca falhas significativas na rede de proteção às mulheres. Há registros de vítimas que buscaram ajuda, solicitaram medidas protetivas e, mesmo assim, foram assassinadas. Para os pesquisadores, isso evidencia dificuldades do poder público em interromper ciclos de violência antes que resultem em morte.

Impacto nas famílias e crianças órfãs

Os feminicídios deixam um impacto devastador nas famílias. Dados do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) mostram que dezenas de crianças e adolescentes ficaram órfãos após esses crimes:

  • 2025: 29 crianças, 12 adolescentes e 33 maiores de 18 anos — totalizando 74 órfãos
  • 2024: 24 crianças, 14 adolescentes e 33 maiores de 18 anos — totalizando 71 órfãos
  • 2026: 2 órfãos maiores de 18 anos

Pela legislação brasileira, quando há condenação por feminicídio, o responsável perde o poder familiar sobre os filhos, conforme prevê o artigo 92 do Código Penal. Além disso, a Lei nº 14.713/2023 proíbe a guarda compartilhada em casos que envolvem risco de violência doméstica ou familiar.

Quando não há familiares que possam assumir a guarda das crianças ou adolescentes, o Conselho Tutelar é acionado e pode ocorrer o acolhimento institucional, medida temporária que serve como transição até a reintegração familiar ou encaminhamento para uma nova família.

Suspeitos foragidos e canais de denúncia

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) informou que dois homens são considerados foragidos da Justiça por crimes relacionados à violência contra mulheres:

  1. Flávio Saad, de 51 anos, procurado por feminicídio
  2. Marcelo Vitor Ferreira da Costa, de 39 anos, procurado por tentativa de feminicídio

Qualquer informação sobre o paradeiro dos suspeitos pode ser repassada às autoridades pelo telefone 67 9 9219-4380, com sigilo garantido.

Violência contra mulher é crime e pode ser denunciada de forma segura e sigilosa. Em casos de emergência, ligue imediatamente para 190. Para denúncias e orientações, o número 180 fica disponível 24 horas por dia. Também é possível denunciar via WhatsApp pelos números (61) 9610-0180 ou (67) 99180-0542.

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Desde que o feminicídio passou a ser considerado crime no Brasil, em 2015, pelo menos 13.703 mulheres foram assassinadas no país por razões relacionadas ao gênero, de acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.