Feminicídio em SP: Jovem morre após ser arrastada 1 km por ex-namorado
Mãe se pronuncia após morte da filha vítima de feminicídio

A dor de uma mãe se transformou em um apelo público por justiça. Lúcia Aparecida da Silva usou suas redes sociais na noite de quarta-feira, 24 de dezembro de 2025, para confirmar a morte da filha, Tainara Souza Santos. A jovem não resistiu aos ferimentos graves sofridos em um ataque brutal cometido pelo ex-namorado.

Um crime brutal na Marginal Tietê

O episódio que tirou a vida de Tainara aconteceu no dia 29 de novembro. Após uma discussão, o ex-companheiro, identificado como Douglas Alves da Silva, de 26 anos, atropelou a jovem com seu carro. O ato de violência foi ainda mais cruel: ele arrastou a vítima por aproximadamente 1 quilômetro ao longo da Marginal Tietê, na capital paulista, com ela presa sob o veículo.

Tainara foi resgatada em estado gravíssimo e precisou lutar pela vida durante 25 dias internada. Para tentar salvá-la, os médicos foram obrigados a realizar a amputação de ambas as pernas. Apesar dos esforços, a jovem não sobreviveu, falecendo na noite desta quarta-feira.

O apelo público de uma mãe em luto

Em um vídeo emocionante postado nos stories do Instagram, Lúcia se dirigiu aos seguidores. "Oi, meus amores, boa noite. É com muita dor que venho avisar, que nossa 'guerreirinha' Tay nos deixou", disse a mãe. Ela agradeceu pelas incontáveis mensagens de apoio, carinho e oração recebidas durante o período em que a filha estava hospitalizada.

"Ela acabou de partir desse mundo cruel e está com Deus. É uma dor enorme. Mas acabou o sofrimento e agora é pedir por justiça", completou Lúcia, transformando sua dor pessoal em uma demanda pública por responsabilização.

Investigado como feminicídio consumado

Com a morte de Tainara, a natureza legal do crime foi alterada. O caso, que antes era investigado como tentativa de homicídio, agora é tratado oficialmente como feminicídio consumado. A investigação está a cargo da 73ª Delegacia de Polícia, conforme informado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.

O agressor, Douglas Alves da Silva, já estava preso. A Justiça decretou sua prisão no dia 6 de dezembro, e ele foi capturado pela Polícia Civil pouco depois. O feminicídio se soma a um triste cenário no estado, que registrou alta no número desses crimes em 2025, mesmo com a ampliação das Delegacias da Mulher.

A história de Tainara é mais um capítulo trágico na epidemia de violência contra as mulheres no Brasil. Enquanto sua família chora a perda, a sociedade aguarda que o processo judicial cumpra seu papel e que o apelo por justiça, feito por uma mãe de luto, seja atendido.