Uma mãe de 27 anos foi presa em flagrante após agredir e arrastar o próprio filho, de 2 anos, pelo chão do fórum criminal de Boa Vista, na última sexta-feira (8). A mulher acompanhava a filha, de 11 anos, em um depoimento de investigação na qual já figura como suspeita de maus-tratos contra a menina. Foi durante a espera que a agressão contra o caçula ocorreu.
Violência no fórum
De acordo com a Polícia Civil, enquanto aguardava no fórum, a mulher soltou o menino, que caiu e bateu a cabeça. Em seguida, ela puxou a criança com violência. Uma servidora do local testemunhou a cena e relatou que a suspeita estava "agredindo violentamente o filho caçula, que estava descalço, sendo puxado brutalmente pelo braço e arrastado pelo chão".
Diante da situação, o juiz Esdras Benchimol determinou a prisão imediata da mulher, e a Polícia Militar foi acionada. Ela foi conduzida à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Filha também era vítima
Na delegacia, a polícia constatou que a filha de 11 anos era agredida com frequência pela mãe. A delegada Clarissa Pinheiro detalhou: "Além da violência cometida contra o menino de dois anos nas dependências do fórum, foi identificado que a filha de 11 anos também era vítima recorrente de agressões, inclusive com uso de fio ou cabo de carregador, apresentando lesões compatíveis com os relatos prestados".
A menina relatou ter sido agredida fisicamente no dia anterior, além de ser frequentemente submetida a tarefas domésticas excessivas e à responsabilidade de cuidar do irmão de 2 anos. Em interrogatório, a autuada admitiu ter agredido a filha, tentando justificar a violência como forma de disciplina. No entanto, os elementos reunidos evidenciaram um cenário contínuo de violência doméstica, maus-tratos e graves violações dos direitos fundamentais dessas crianças.
Flagrante e acolhimento
A suspeita foi autuada em flagrante pelos crimes de lesão corporal qualificada em contexto de violência doméstica contra a filha de 11 anos e maus-tratos contra o filho de 2 anos. As crianças foram acolhidas pela rede de proteção, sob acompanhamento dos órgãos competentes, recebendo assistência especializada, suporte psicossocial e medidas de proteção.
Violência não educa
A delegada Clarissa Pinheiro enfatizou que é imprescindível diferenciar disciplina de violência. Ela reforçou que agressões físicas e psicológicas não podem ser naturalizadas sob nenhuma justificativa. "Corrigir um filho não significa espancar, humilhar ou submeter uma criança a sofrimento físico e emocional. Violência não educa, violência traumatiza. Esse tipo de conduta provoca danos profundos, compromete o desenvolvimento emocional das vítimas e pode deixar sequelas permanentes. O que verificamos neste caso foi uma rotina de agressões constantes, o que torna a situação ainda mais alarmante. Nenhuma criança pode crescer sob medo, dor e violência, sobretudo dentro do próprio ambiente familiar", destacou a delegada.
A investigada foi levada à audiência de custódia e permanece à disposição da Justiça.



