Madrasta foragida por torturar três crianças durante seis anos é presa no interior de São Paulo
Madrasta foragida por torturar crianças é presa em SP

Madrasta foragida por torturar três crianças durante seis anos é presa no interior de São Paulo

A madrasta condenada por torturar três crianças em Campinas, no interior de São Paulo, foi presa nesta sexta-feira (13) em Mogi Mirim, após período foragida da justiça. A denúncia do Ministério Público contra o pai e a madrasta descreve o "terror" vivido pelos irmãos durante seis anos de agressões constantes.

Seis anos de violência e privação

Segundo as investigações, as agressões aconteceram entre outubro de 2015 e julho de 2021, período em que as crianças ficaram sob a guarda do pai porque a mãe biológica havia sofrido um acidente de trânsito e estava com a saúde debilitada. Na época dos fatos, os irmãos tinham 8, 10 e 13 anos de idade.

Em depoimentos, as crianças relataram uma rotina de violência que incluía:

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  • Agressões com cinto, raquete de choque, chinelo, frigideira e colher de pau
  • Episódios de enforcamento
  • Privação de alimentos adequados
  • Ameaças de morte caso contassem à mãe sobre as agressões

Os irmãos afirmaram que apenas o pai e a madrasta comiam carne nas refeições, enquanto para elas eram servidos apenas arroz, feijão e ovo. Em um dos episódios mais graves, o pai bateu a cabeça de um dos filhos no chão. Em outro, levantou uma das crianças pelo pescoço e a pressionou contra a parede.

Proteção fraternal e sofrimento intensificado

O irmão mais velho contou que tentava proteger os irmãos menores, especialmente o caçula que foi diagnosticado com autismo grau 3 de suporte, mas acabava apanhando ainda mais por causa disso. Ele descreveu que o irmão mais novo era submetido a "tortura" específica devido à sua condição.

As crianças relataram que as agressões eram constantes, mas se intensificavam em duas situações específicas: quando o pai chegava estressado do trabalho ou quando o time de futebol para o qual ele torcia perdia partidas importantes. Os irmãos também disseram que pegavam comida escondido para o mais novo, que "saía pulando" de alegria ao receber o alimento, mas quando o casal percebia, as vítimas eram novamente agredidas violentamente.

Estratégias para esconder as marcas

Segundo os depoimentos, o pai costumava agredir os filhos no começo da semana para que, quando a mãe biológica fosse buscá-los, não encontrasse marcas visíveis das lesões. Esta estratégia cruel permitiu que o ciclo de violência se prolongasse por anos antes da descoberta completa dos abusos.

Recuperação da guarda e nova vida

Em 2021, a mãe biológica conseguiu recuperar a guarda unilateral das crianças após provar as condições de risco em que viviam. No processo judicial, é relatado que os meninos agora contam, sorrindo, que gostam "bastante" da vida com a mãe, e que saem com ela para restaurantes, parquinhos e também jogam juntos regularmente.

Condenações e prisões

Em 2024, o pai foi condenado a 7 anos, 5 meses e 18 dias de prisão em regime fechado. Ele está preso desde o início de fevereiro, quando foi localizado em Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A madrasta também foi condenada e recebeu pena de 6 anos de prisão em regime fechado.

A defesa da mulher informou que ela "se entregou espontaneamente na manhã de hoje, na Delegacia de Mogi Mirim, para assegurar sua integridade física", fato que, segundo os advogados, foi informado antes à juíza responsável pelo caso. Os nomes do casal não são divulgados para preservar a identidade das crianças envolvidas no processo.

O caso chocante revela a importância dos mecanismos de proteção à infância e a necessidade de vigilância constante por parte das autoridades e da sociedade civil para identificar e interromper ciclos de violência doméstica que muitas vezes permanecem ocultos por anos.

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