Youtuber cearense de 16 anos denuncia abuso sexual do pai e relata crises de pânico
Jovem youtuber denuncia abuso do pai e relata medo

Adolescente denuncia abuso sexual do pai e vive em meio a disputa familiar

Uma jovem de 16 anos, conhecida como youtuber e gamer com milhões de seguidores no Ceará, denunciou ter sido vítima de abuso sexual cometido pelo próprio pai. Em um vídeo publicado nas redes sociais no último sábado (16), ela relatou estar sofrendo crises de pânico e não conseguir sair de casa por medo. A denúncia ocorre em meio a uma disputa familiar, na qual o pai tenta obter a guarda da filha.

Antecedentes criminais do pai

O pai da adolescente possui antecedentes criminais por violência doméstica contra a ex-mulher, mãe da jovem. A Polícia Civil informou que investiga um crime sofrido pela adolescente, sem detalhar qual, enquanto o Ministério Público do Ceará (MPCE) acompanha o caso. O g1 optou por não divulgar os nomes da vítima e do suspeito para preservar a identidade da adolescente.

Relato da vítima

No vídeo, a adolescente declarou: “Eu tenho crise de pânico, eu não consigo sair de casa, eu não consigo ir pra escola porque a gente tem medida protetiva contra ele, e ele infringiu elas [medidas]. Ele veio aqui em casa, ele está de tornozeleira eletrônica, mas ele passa na frente da minha casa. E a Justiça não age. Ninguém está acreditando no meu lado”. Mãe e filha possuem medidas protetivas contra o homem, mas ele continua se aproximando, tendo passado duas vezes em frente à residência no domingo (17).

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Na segunda-feira (18), a Justiça marcou uma audiência de instrução por descumprimento de medida protetiva de urgência para o dia 15 de junho. A Polícia Civil do Ceará investiga denúncias relacionadas a dois crimes: descumprimento de medida protetiva e um crime contra a adolescente, ocorridos em Tianguá. A corporação não detalhou o crime devido ao segredo de justiça.

Disputa pela guarda

No vídeo, a adolescente afirmou que o pai tem feito denúncias que ela considera falsas contra a mãe, na tentativa de reaver a guarda da filha. O homem acusa a ex-companheira de maltratar e manter a filha em cárcere privado. “Eu tô quase indo pra um abrigo por conta de denúncias falsas do meu pai. O meu pai cometeu violência doméstica contra minha mãe, e isso foi 1% das coisas que ele já fez. E comigo também, ele cometeu diversos abusos”, disse a adolescente.

A jovem denunciou ter sofrido abuso sexual do pai há cerca de cinco anos: “Quando eu tinha 11 anos, meu pai me colocou sem roupa na frente dele. [...] Eu tava chorando pedindo pra ele, eu tava implorando pra ele deixar eu me vestir e deixar eu me tampar. E ele começou a gritar, dizendo que não era pra eu tampar”. Ela também relatou ter presenciado diversos episódios de violência enquanto os pais eram casados. “Eu cresci vendo meu pai tentando matar a minha mãe, eu cresci vendo meu pai maltratar a minha mãe”, afirmou.

Segundo a jovem, o pai quebrava objetos em casa em momentos de fúria. “Eu fui ouvida uma vez e, dessa vez, ainda banalizaram o que eu passei. Banalizaram os abusos, banalizaram tudo que ele fez. Agiram como se eu estivesse mentindo, agiram como se eu estivesse inventando aquilo tudo porque ele manipulou todo mundo”, declarou. Para ela, mãe e filha vivem uma injustiça devido à condução do caso. “Já não basta todos os traumas que ele causou, a gente ainda tendo que passar por tudo isso, ele querendo a minha guarda pra quê? O que ele quer fazer comigo? Isso é um absurdo”, desabafou.

Denúncias contra instituições

O advogado que representa mãe e filha, Walisson Oliveira, afirmou que o pai já deveria estar preso após descumprir as medidas protetivas. “Só que quando chegou ontem [domingo] na delegacia para fazer o boletim de ocorrência e denunciar novamente o genitor, a mãe ouviu da escrivã e do próprio delegado: ‘Isso é muito vago’”, relatou. “Tendo a guarda dela, ele acha que vai tentar atingir a mãe. Só que ele não quer a guarda, ele quer destruir a família”, reforçou.

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A família também alega que o Conselho Tutelar de Tianguá estaria negligenciando o caso, pois o pai já trabalhou na entidade e teria influência com funcionários. “Eu quero denunciar o Conselho Tutelar porque ninguém está dando voz às vítimas de verdade, estão dando voz ao abusador. Porque o Conselho Tutelar dá informação para ele. Ele já foi motorista do Conselho Tutelar daqui de Tianguá e tem essas amizades. Falam pra ele as coisas do processo, que ele não poderia saber”, denunciou a adolescente.

Em nota, o Conselho Tutelar de Tianguá repudiou “veementemente quaisquer acusações infundadas que atentem contra a honra, a credibilidade e a seriedade do trabalho desenvolvido por este órgão, destacando que jamais compactuou, favoreceu ou divulgou informações sigilosas relacionadas aos casos acompanhados”. O órgão informou que as declarações estão sendo analisadas e que medidas legais serão adotadas.

A jovem e a mãe também criticaram a atuação do Ministério Público do Ceará. O MPCE, em nota, disse que vem adotando medidas judiciais e extrajudiciais para garantir a proteção da adolescente, acompanhando o caso por meio de um procedimento administrativo em articulação com a rede de assistência social e saúde de Tianguá. “Além disso, a adolescente passou por escuta especializada, nos termos da Lei nº 13.431/2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência”, afirmou o órgão. O MPCE destacou que as medidas protetivas permanecem em vigor e que o caso está sob sigilo.