Uma adolescente de 17 anos, vítima de feminicídio no interior do Ceará, tinha uma trajetória marcada pelo engajamento social e pela participação em concursos de beleza. Ana Kévile Nogueira Batista foi morta a tiros no último sábado (25) após recusar o assédio de um homem de 39 anos, em Deputado Irapuan Pinheiro. A jovem atuava há seis anos em um projeto de formação cidadã para adolescentes, o Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA), que tem reconhecimento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Unicef manifesta indignação
O Unicef divulgou nota, nesta terça-feira (28), expressando indignação pelo feminicídio de Ana Kévile e cobrando ações concretas para combater a violência de gênero no Brasil. No texto, a agência afirma que a jovem foi morta após recusar o assédio de um homem e que sua morte não foi um acidente nem um crime isolado, mas sim a expressão mais brutal da misoginia estrutural que permeia a sociedade brasileira, alimentando a violência de gênero e a cultura de impunidade.
Segundo o Unicef, Ana Kévile conhecia seus direitos por participar de um espaço de formação cidadã voltado para ajudar jovens a enfrentar vulnerabilidades e desigualdades. A agência destaca que o feminicídio é um lembrete doloroso de que a violência contra meninas e mulheres é um problema de toda a sociedade, exigindo respostas urgentes e coordenadas. O caso reforça a necessidade de uma política nacional de prevenção de violências contra adolescentes, com governança estabelecida, orçamento e alcance de longo prazo, além de estratégias estaduais e municipais.
Engajamento em diversas atividades
Ana Kévile também era engajada em atividades religiosas, como membro do Encontro de Jovens com Cristo na Paróquia Imaculada Conceição. Na escola, era aluna do 3º ano do Ensino Médio na rede pública e trabalhava em uma distribuidora de descartáveis, bebidas e frios. A jovem participou de eventos importantes para a cidade, incluindo um concurso de beleza durante os festejos de 37 anos do município, em abril de 2025, conforme vídeo cedido pela família.
Crime e prisão do suspeito
O suspeito, José Arimateia Felipe, de 39 anos, conhecido como Derimar, assediou Ana Kévile em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis. Segundo o inquérito policial, ele tentou abordá-la, tocou na coxa da vítima sem consentimento e ofereceu R$ 500 para ter relações com ela, mas foi recusado. Após ser repreendido por testemunhas, ele pagou a conta, saiu em uma motocicleta e voltou minutos depois armado. Ao tentar se aproximar novamente e ser rejeitado, disparou pelo menos duas vezes contra a adolescente, que morreu no local.
José Arimateia ficou foragido por três dias até ser preso na terça-feira (28) em um sítio no município de Acopiara, vizinho a Irapuan Pinheiro. Ele foi localizado pela Guarda Civil Municipal com uma arma de fogo e conduzido à delegacia. A prisão ocorreu por força de um mandado de prisão preventiva emitido pela Justiça do Ceará. Na delegacia, ele foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Na quarta-feira (29), passou por audiência de custódia no 2º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias, em Iguatu, que homologou a prisão preventiva. Ele permanece preso.



