Infância despedaçada: como curar o trauma do abuso sexual? Caso investigado na Grande Curitiba
Infância despedaçada: trauma do abuso sexual e caso na Grande Curitiba

Infância despedaçada: como curar o trauma do abuso sexual? Caso investigado na Grande Curitiba

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) investiga Flúvio Cosme Adão pelo crime de estupro de vulnerável contra seis vítimas na Grande Curitiba. As autoridades estão apurando se existem outras vítimas que ainda não denunciaram o homem, que atuava como "regional" na Igreja Adventista do Sétimo Dia em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba.

Exploração de função religiosa para crimes

Na instituição religiosa, Flúvio atuava no Clube de Desbravadores, grupo voltado ao público infantojuvenil. Conforme o Ministério Público, ele teria se aproveitado da função exercida no grupo religioso para a prática dos crimes. "Ele tinha contato com vários grupos de crianças e, por isso, também tinha uma autoridade. Ele era alguém considerado na igreja, alguém com um certo poder, a ponto de muitas das vítimas sofrerem algum tipo de abuso e não conseguirem entender o que aconteceu", explica o promotor de Justiça Adolfo Vaz da Silva.

Flúvio Cosme Adão está preso preventivamente desde outubro de 2025, acusado da prática de estupro de vulnerável e de atos libidinosos contra crianças e adolescentes. O processo corre em sigilo, por envolver vítimas com menos de 18 anos. No entanto, o Ministério Público conseguiu autorização da Vara Criminal da comarca para divulgação do nome do investigado, para que outras possíveis vítimas possam denunciar.

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Padrão de comportamento predatório

Conforme o promotor, o homem respondia em liberdade, mas teve a prisão decretada porque a Justiça entendeu que houve risco à ordem pública e dificuldade para intimá-lo durante o processo penal. "Se trata de alguém que vem praticando esse tipo de ato há mais de 10 anos. É um modo de operar, um jeito próprio dele. Não é um abuso que aconteceu por uma oportunidade, por uma criança que estava em situação de risco. Trata-se, na verdade, de um verdadeiro predador sexual, que procura crianças, procura situações para praticar esses abusos", detalha o promotor.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia informou por meio de nota que Flúvio não é mais membro da igreja desde fevereiro de 2022 e disse que repudia qualquer forma de violência ou abuso.

Canais para denúncias e sigilo garantido

Por envolver crianças e adolescentes, o processo tramita sob sigilo. Porém, diante da possibilidade de mais vítimas, o Ministério Público solicitou autorização para divulgar o nome do suspeito, o que foi autorizado pela Vara Criminal da comarca de Fazenda Rio Grande. O órgão pediu a colaboração de pessoas que possuam informações ou queiram apresentar denúncias contra Flúvio Cosme Adão.

Pessoas que tenham sofrido qualquer tipo de abuso por parte do investigado, bem como aquelas que tenham conhecimento de possíveis vítimas, devem entrar em contato com:

  • Delegacia de Polícia de Fazenda Rio Grande: Rua Tenente Sandro Luiz Kampa, 114, Bairro Pioneiros
  • 4ª Promotoria de Justiça do município: Rua Inglaterra, 545, Bairro Nações

As denúncias à Promotoria de Justiça podem ser realizadas por:

  1. WhatsApp: (41) 3627-2116
  2. E-mail: fazendariogrande.4prom@mppr.mp.br
  3. Presencialmente no endereço mencionado

O Ministério Público destaca que é garantido o sigilo absoluto das informações, assim como o anonimato do denunciante.

Posicionamento da igreja

A igreja da qual o investigado era membro afirmou que colabora com as investigações e destacou que Flúvio não faz mais parte da instituição desde 2022. Em nota, a instituição declarou: "A Igreja Adventista do Sétimo Dia esclarece que o indivíduo citado na reportagem não é mais membro desta denominação desde 15 de fevereiro de 2022. Reafirmamos que a Igreja Adventista repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Manifestamos nossa solidariedade às vítimas e suas famílias, e reiteramos o compromisso da nossa comunidade com os valores cristãos de respeito, dignidade e cuidado com todos, especialmente com crianças e adolescentes."

O g1 não conseguiu contato com a defesa de Flúvio Cosme Adão, mas o espaço permanece aberto para manifestação.

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