Influenciadora é sufocada até desmaiar por namorado em elevador de Goiânia; caso vira processo judicial
O empresário Alcides Bortoli Antunes, de 35 anos, tornou-se réu por violência doméstica contra a influenciadora Nayara da Conceição Brito, de 23 anos, após um incidente grave ocorrido em fevereiro de 2025 em Goiânia. As imagens de câmeras de monitoramento, que vieram à tona recentemente, mostram a jovem sendo sufocada por Alcides até desmaiar dentro do elevador de um prédio. O caso ganhou destaque após o empresário processar Nayara por calúnia e difamação, o que levou à divulgação do vídeo e a uma série de desdobramentos legais.
Denúncia do Ministério Público e versão da defesa
Na quinta-feira, 22 de maio, o Ministério Público de Goiás ofereceu denúncia contra Alcides por lesão corporal no contexto de violência doméstica. O órgão destacou que o empresário ofendeu a integridade física de Nayara, causando lesões no pescoço e no braço. A Justiça acatou o pedido de denúncia na segunda-feira, 26 de maio. Segundo o documento do MP, o incidente ocorreu quando Nayara descobriu uma traição de Alcides, o que a levou a quebrar objetos no apartamento dele. Em resposta, Alcides avançou contra ela, imobilizou-a, desferiu tapas e a estrangulou, com Nayara tentando se defender com arranhões e mordidas.
Em contrapartida, a defesa de Alcides afirmou, em nota ao g1, que o empresário é vítima e que há provas documentais e testemunhais sustentando sua versão. A defesa citou um relatório da Polícia Militar que confirma lesões em Alcides e a ausência de marcas de agressão em Nayara na ocasião. Além disso, alegou que a Polícia Militar foi acionada por Alcides para que Nayara deixasse sua residência após destruir patrimônio e agredi-lo. Sobre o vídeo que mostra a sufocação, a defesa o classificou como um fragmento isolado, sem contexto completo, e ressaltou que ambos os processos estão em fase inicial de investigação, pedindo respeito à presunção de inocência.
Relato da influenciadora e detalhes do ocorrido
Nayara relatou ao g1 que ela e Alcides tinham um relacionamento de cerca de quatro meses. Na madrugada do incidente, após descobrir a traição, ela discutiu com o empresário, que a expulsou do apartamento. Ele me obrigou a sair do apartamento e saiu me arrastando, utilizando muita força, porque eu não queria sair naquele horário, pois era de madrugada, disse Nayara. Ela contou que foi puxada até o elevador, onde foi sufocada até desmaiar. O vídeo mostra que, ao chegarem ao térreo, Nayara estava desacordada e foi arrastada pelo braço até o saguão do prédio.
Segundo Nayara, a Polícia Militar que atendeu ao local não a encaminhou ao Instituto Médico Legal (IML) nem à delegacia na hora, apenas no dia seguinte, quando ela registrou boletim de ocorrência e foram constatadas lesões no IML. Ela acrescentou que, após deixar Goiânia, perdeu o contato com o processo, até ser notificada sobre a ação de calúnia movida por Alcides. Agora, com esses vídeos, meu advogado vai fazer a defesa e mostrar que, em momento nenhum, eu caluniei ou inventei nada... O vídeo mostra tudo que aconteceu e, sendo bem clara, fui a vítima — e não ele, finalizou Nayara.
Processos judiciais e implicações legais
O caso envolve dois processos judiciais distintos decorrentes do mesmo episódio. No processo movido por Alcides contra Nayara, ele alega lesão corporal, ameaça e dano qualificado, com provas como relatório policial e exame de corpo de delito. Já Nayara solicitou a instauração de inquérito policial contra Alcides. A defesa de Alcides enfatizou a importância do contraditório e da ampla defesa, criticando o que chamou de julgamento antecipado pela mídia e pedindo que a sociedade aguarde a conclusão das investigações.
Este incidente destaca questões complexas de violência doméstica, justiça e mídia, com ambas as partes apresentando versões conflitantes. As autoridades continuam a investigar o caso, que promete desdobramentos significativos nos tribunais de Goiás.