Colegas de faculdade prestam homenagem emocionante a empresária vítima de feminicídio na Bahia
Em um ato simbólico e carregado de emoção, colegas de faculdade da empresária baiana Flávia Barros, brutalmente assassinada pelo namorado no último domingo (22), realizaram uma homenagem pública na terça-feira (24). A iniciativa ocorreu no Centro Universitário Unirios, em Paulo Afonso, no norte da Bahia, onde a vítima cursava Direito com dedicação e sonhos interrompidos pela violência.
Uma cadeira vazia que fala mais que palavras
Os estudantes fixaram uma mensagem impactante em uma das cadeiras utilizadas por Flávia durante suas aulas. O texto, que rapidamente circulou nas redes sociais, declarava com firmeza: "Esta cadeira está vazia porque uma mulher que poderia estar estudando foi vítima de feminicídio". A simplicidade do gesto contrastava com a profundidade da denúncia social, evidenciando o vazio deixado pela perda e a luta contra a violência de gênero.
Flávia Barros, natural de Santa Brígida e residente há anos em Paulo Afonso, ambas cidades baianas, havia completado 38 anos no dia 15 de março. Data que, segundo relatos de amigas próximas, coincidiu com o pedido de namoro feito pelo próprio homem que viria a tirar sua vida: Tiago Sóstenes Miranda de Matos, ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso.
Fim de semana trágico em Aracaju
O casal havia viajado para Aracaju, capital sergipana, para um fim de semana que começou com momentos de lazer. No sábado, aproveitaram o show do cantor Rey Vaqueiro, em clima de descontração. Porém, a madrugada do domingo transformou-se em pesadelo no quarto do hotel onde estavam hospedados.
Após disparar contra Flávia, Tiago tentou cometer suicídio no local. Ele foi resgatado com vida e encaminhado ao Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), onde permanece internado em estado considerado grave pelas autoridades médicas. O corpo da empresária foi velado inicialmente em Paulo Afonso, seguindo depois para Canindé do São Francisco, em Sergipe, onde ocorreu um segundo velório e o sepultamento definitivo.
Perfil do suspeito: autoridade com histórico aparentemente regular
Tiago Sóstenes Miranda de Matos, além de policial penal, é bacharel em Direito e havia assumido o cargo de diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso em 2025. De acordo com informações oficiais da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária da Bahia (Seap-BA), ele não respondia a nenhum processo administrativo disciplinar, apresentava histórico funcional considerado regular e não havia indícios anteriores de instabilidade emocional que pudessem alertar sobre seu comportamento violento.
Contudo, em resposta imediata ao crime hediondo, as autoridades baianas exoneraram Tiago do cargo de diretor do presídio. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado já na terça-feira, demonstrando a gravidade com que o caso está sendo tratado pelas instâncias públicas.
Reflexões sobre violência e memória
A homenagem dos colegas de Flávia transcende o luto individual, transformando-se em um ato político de resistência contra a epidemia de feminicídios que assola o Brasil. Cada cadeira vazia nas salas de aula do Unirios agora carrega o peso de uma história interrompida, mas também a semente da conscientização coletiva.
Enquanto a Justiça inicia seus trâmites para apurar responsabilidades, a comunidade acadêmica e a sociedade baiana se unem no clamor por justiça e na defesa intransigente da vida das mulheres. A memória de Flávia Barros, empresária e estudante de Direito, permanece viva não apenas nas lembranças afetivas, mas na luta por um futuro onde nenhuma outra cadeira precise ficar vazia pela violência masculina.



