Homem pede perdão após matar esposa em Praia Grande e tem prisão convertida
Homem pede perdão após matar esposa em Praia Grande

Homem pede perdão após matar esposa em Praia Grande e tem prisão convertida

Pedro Ubiratan de Oliveira, o homem que gravou um vídeo pedindo perdão após assassinar a esposa Thais Rodrigues Rocha de Oliveira em Praia Grande, no litoral de São Paulo, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Crime ocorreu na madrugada de domingo

O feminicídio aconteceu na residência do casal, na madrugada de domingo (8), na Rua Cantor Renato Russo, no bairro Caieiras. Após cometer o crime, Pedro publicou vídeos nas redes sociais pedindo perdão à família e à sociedade.

A conversão da prisão ocorreu durante uma audiência de custódia na segunda-feira (9). De acordo com a delegada Lyvia Cristina Bonella, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o casal tinha um histórico de brigas, mas Thais nunca havia registrado um boletim de ocorrência contra o marido.

"Não era, em tese, um agressor contumaz, alguém que já tivesse um histórico de agressão", afirmou a delegada. "Embora não tivesse nenhuma passagem por agredir mulheres, no passado, já tinha uma passagem por roubo, mas há muito tempo", acrescentou.

Motivação do crime

Em depoimento, Pedro contou que discutiu com Thais dois dias antes do crime, pois encontrou uma calcinha usada na casa e desconfiou de traição. O homem disse que desferiu um tapa na mulher, que acionou a polícia, resultando em sua retirada da residência.

Segundo o boletim de ocorrência, ele ligou para o sobrinho na noite de sábado (7), antes de cometer o feminicídio. Durante a ligação, o suspeito estava rindo com Thais e contou que havia deixado as filhas na casa da avó para se reconciliar com a esposa.

Pedro ainda afirmou que procuraria tratamento para uso de drogas. No entanto, por volta de 4h de domingo (8), ele ligou novamente para o sobrinho usando o telefone de Thais, pedindo que fosse à casa, mas o parente alegou estar passando mal.

Confissão e descoberta do crime

O assassino então enviou mensagens pelo celular da vítima dizendo que havia matado a própria esposa. "Não foi por causa de 'gaia' não, foi por pilantragem, dando dentro da minha casa e na minha cama. Eu queria o cara, mas ela não quis falar", escreveu.

A esposa do sobrinho visualizou as mensagens e ligou para a sogra, irmã de Pedro, relatando o ocorrido. A família viu as publicações do criminoso nas redes sociais e acionou a Polícia Militar.

Quando chegaram ao local, os policiais encontraram a vítima caída no chão da sala, com ferimentos na região do rosto e grande perda de sangue. O óbito foi constatado por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Prisão e atendimento médico

Segundo o boletim de ocorrência, Pedro não estava na residência, pois havia ido até a casa da mãe contar sobre o crime. Ele foi encontrado pela PM, na rua, desorientado e com um corte na cabeça.

Na ocasião, o criminoso disse que o ferimento foi feito pela própria mãe, após ela descobrir sobre a morte de Thais. Pedro confessou aos policiais que agrediu a esposa com socos e a esganou, afirmando que não utilizou nenhum objeto durante o crime e alegando que a motivação seria a suposta traição.

O homem foi levado ao Pronto-Socorro Quietude para atendimento médico e, depois, encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, onde foi preso em flagrante por feminicídio.

Histórico criminal

O g1 apurou que o roubo cometido por Pedro aconteceu no início dos anos 2000, mas o processo foi arquivado e não constam detalhes do crime no sistema do TJ-SP. A equipe de reportagem não localizou a defesa dele até a última publicação.

A delegada Lyvia Cristina Bonella destacou que, apesar do histórico de brigas, não havia registros anteriores de violência doméstica contra Thais, o que torna o caso ainda mais trágico e surpreendente para as autoridades.