Filhos fogem desesperados para pedir ajuda enquanto mãe é agredida com martelo por bombeiro em MS
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento de desespero em que os filhos do subtenente do Corpo de Bombeiros, Elianderson Duarte, de 45 anos, correm para pedir ajuda a moradores enquanto a mãe era brutalmente agredida dentro de casa por ele, em Ponta Porã (MS), na fronteira do Brasil com o Paraguai. O militar foi preso após atacar a esposa e os próprios filhos com golpes de martelo, em um caso que chocou a região da Vila Renault na tarde desta terça-feira (3).
Cena de terror captada pelas câmeras
Nas imagens que circularam, os filhos aparecem saindo em desespero da casa e buscando ajuda com pessoas que estavam na rua. Logo depois, vizinhos corajosos entraram no imóvel para tentar ajudar a vítima. Segundo o depoimento da filha mais velha do casal, de 17 anos, ao perceber que o pai estava com uma marreta na mão, a mãe gritou para que ela e os irmãos abrissem a porta e corressem para salvar suas vidas.
Detalhes chocantes do crime
O casal tem três filhos: a jovem de 17 anos que relatou os fatos e dois meninos, de 11 e 13 anos, diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A adolescente contou ao delegado Rodrigo Inojosa os minutos anteriores ao crime, revelando que o subtenente chegou do plantão no fim da tarde, fechou portas e janelas da casa, recolheu os celulares dos filhos e esperou a esposa voltar do trabalho.
"Quando a mãe chegou, ele disse imediatamente 'vamos pro quarto'. A mãe negou porque percebeu que tinha alguma coisa errada", afirmou o delegado, detalhando o depoimento.
No relato, a jovem contou que percebeu o pai com a marreta de construção e que a mãe, ao notar o mesmo, gritou: "Abre a porta e foge". As agressões começaram antes que eles conseguissem sair completamente. Os três filhos tentaram impedir o pai e dois acabaram atingidos pelos golpes. A adolescente levou dois golpes na cabeça, ficando com o rosto ensanguentado.
Fuga e prisão do agressor
"As testemunhas ficaram sem entender o que tinha acontecido porque as crianças estavam com muito sangue no rosto. E, quando eles viram, ele já estava ao lado dela, com a marreta em mãos, e a vítima caída ao chão", relatou o delegado sobre a cena encontrada pelos moradores.
Ao verem a situação, moradores gritaram com o suspeito, que fugiu pulando muros. Durante a fuga desesperada, ele quebrou o tornozelo. Populares corajosos o perseguiram e conseguiram detê-lo até a chegada da polícia. O militar foi preso em flagrante e está internado sob escolta no Hospital Regional de Ponta Porã, recebendo tratamento para a fratura.
Estado das vítimas e procedimentos legais
A vítima principal, a esposa do bombeiro, foi levada primeiro ao hospital da cidade e, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser transferida para Dourados, onde recebe atendimento especializado. As crianças também receberam atendimento médico para os ferimentos sofridos durante a tentativa de proteger a mãe.
A Polícia Civil informou que o subtenente foi autuado por tentativa de feminicídio e que será pedida a prisão preventiva, garantindo que ele responda pelos atos com todo o rigor da lei. A arma usada no crime, uma marreta de construção, foi apreendida pela polícia como prova material.
Posicionamento institucional
Em nota oficial, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul manifestou profundo repúdio aos fatos: "O CBMMS lamenta o ocorrido e vem a público manifestar seu mais profundo repúdio a qualquer forma de violência contra as mulheres". A corporação informou que está colaborando integralmente com as autoridades policiais e com o Poder Judiciário para a plena elucidação do caso, adotando as providências administrativas cabíveis conforme a legislação vigente.
Importante alerta sobre violência doméstica
Este caso trágico reforça a importância dos canais de denúncia disponíveis para vítimas de violência doméstica:
- Em casos de emergência, ligue imediatamente para 190
- Para denúncias e orientações, o número 180 fica disponível 24 horas por dia
- É possível denunciar via WhatsApp pelos números (61) 9610-0180 ou (67) 99180-0542
A violência contra a mulher é crime e deve ser denunciada de forma segura e sigilosa, garantindo proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.
