Filhas planejam feminicídio da mãe com compra de celular e convite para compras no Tocantins
Filhas planejam feminicídio da mãe com celular e compras

Filhas planejam feminicídio da mãe com compra de celular e convite para compras no Tocantins

A servidora pública e empresária Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, de 55 anos, era conhecida por seu apego à família e sua vida dedicada a orações pelas filhas, conforme relatou uma sobrinha que preferiu não se identificar em entrevista ao g1 nesta quarta-feira (8). O corpo de Deise foi encontrado no dia 1º de janeiro, no Rio Santa Tereza, em Peixe, no sul do Tocantins, revelando um caso chocante de violência doméstica.

Indiciamento e prisões preventivas

Segundo a Polícia Civil, as filhas são suspeitas de feminicídio, crime motivado por conflitos familiares e interesses financeiros. Déborah de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, de 32 anos, além do marido da vítima, José Roberto Ribeiro, de 54 anos, foram indiciados pelo crime na última segunda-feira (6). A polícia afirma que as filhas teriam sido responsáveis pela morte e pela ocultação do corpo, enquanto o pai teria atuado na eliminação de provas após o feminicídio, tentando atrapalhar as investigações. Os três estão presos preventivamente desde fevereiro.

Em entrevista ao g1, a sobrinha contou que Deise amava profundamente as filhas e vivia pedindo orações, fazendo campanhas em prol da família. "Então, isso demonstra que ela amava e cuidava das filhas, do marido e das netas. As filhas nunca foram muito próximas da família, e minha tia relatava episódios em que elas eram bastante agressivas com ela, tanto em palavras quanto em atitudes", relatou a sobrinha.

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Conflitos financeiros e dependência econômica

Deise Carmem era dona de uma fábrica de rodos que era a principal fonte de renda da família. Conforme o delegado João Paulo, as filhas, apesar de exercerem outras atividades, dependiam financeiramente da mãe. "As filhas queriam ter um padrão de vida, não de luxo, nada disso. Mas dependiam financeiramente. E a vítima era um empecilho para isso. Um dos conflitos maiores ultimamente foi o pai ter dado, inclusive, um cartão para uma das filhas gastar, e a mãe não concordava com isso", explicou o delegado.

Segundo a investigação, a vítima era vista pelas filhas como um "embaraço". Com a morte, elas poderiam, supostamente, ter controle sobre a empresa. "Então as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai, além de ser, entre aspas, 'bom' para elas, é uma pessoa assim que não tem muita instrução, ele não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira. E isso ia passar para elas, elas iam ter total controle", detalhou o delegado.

Planejamento meticuloso do crime

A suspeita da polícia é de que o crime foi planejado e executado pelas filhas. A investigação apontou que elas compraram um celular no nome da mãe e, após matarem a vítima, usaram o aparelho para enviar mensagens aos parentes, fingindo que Deise tinha ido embora por conta própria. A estratégia serviu para atrasar as buscas e enganar a polícia.

No dia 26 de dezembro de 2025, a vítima foi levada para uma área rural perto da Vila Quixaba, onde foi morta com vários golpes de faca. Depois, o corpo foi jogado no Rio Santa Tereza, na zona rural de Peixe. O inquérito foi conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi.

Posição da defesa e próximos passos

Em nota, a defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que o relatório policial possui "lacunas fundamentais" e que a narrativa carece de lastro probatório técnico em diversos pontos. A defesa informou que tomará as medidas legais para assegurar o contraditório, destacando que a própria autoridade policial admitiu não ter reunido elementos suficientes para vincular José Roberto à execução do homicídio ou à ocultação do cadáver.

O caso foi encaminhado para Justiça e será analisado pelo Ministério Público Estadual (MPTO), que definirá se apresenta a denúncia criminal. A defesa reiterou seu compromisso com a legalidade e a presunção de inocência, afirmando que confia no Poder Judiciário para sanar as lacunas existentes.

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A sobrinha de Deise completou seu relato emocionado: "Ela era totalmente apaixonada e emocionalmente dependente do marido. Todos que a conheciam sabiam disso. Várias pessoas, inclusive, discordavam da união, por não considerarem o relacionamento saudável. Ainda assim, ela sempre entregava a relação conjugal a Deus e seguia em frente". O caso continua sob investigação enquanto a família e a comunidade de Peixe tentam compreender a tragédia que abalou a região.