Feminicídios em São Paulo atingem patamar recorde em 2025 com aumento preocupante
O estado de São Paulo enfrenta um cenário alarmante de violência de gênero, com os casos de feminicídio registrando um aumento significativo de 8,1% no ano de 2025. Os dados, divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), revelam que 266 mulheres foram assassinadas em razão do gênero, contra 246 ocorrências no ano anterior. Este número representa o maior índice da série histórica desse tipo de crime, que teve início em 2018, quando os registros passaram a ser unificados pela pasta estadual.
Capital paulista apresenta crescimento ainda mais expressivo
Na cidade de São Paulo, a situação é ainda mais grave, com um crescimento de 22,4% nos casos de feminicídio. Em 2025, a capital contabilizou 60 ocorrências, em comparação com os 49 registros de 2024. Apenas no mês de dezembro, foram registrados quatro casos, um a mais do que no mesmo período do ano anterior, refletindo uma tendência de alta que preocupa autoridades e especialistas.
Trajetória ascendente e possíveis explicações para os números
Desde 2023, o estado de São Paulo vem registrando mais de 200 casos de feminicídio por ano, indicando uma trajetória ascendente contínua. Especialistas destacam que esse aumento pode não refletir apenas uma maior incidência do crime, mas também avanços na capacidade das autoridades policiais de enquadrar homicídios de mulheres nos critérios previstos na Lei do Feminicídio. A legislação, instituída em 2015 pela Lei Federal nº 13.104, considera feminicídio mortes ocorridas no contexto de violência doméstica ou familiar, ou motivadas por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Casos emblemáticos de 2025 ilustram a gravidade da violência
Entre os episódios que chamaram atenção no ano passado, destacam-se:
- Tainara Souza Santos, de 31 anos, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro em 29 de novembro, vindo a falecer em 24 de dezembro após quase um mês internada no Hospital das Clínicas. Douglas Alves da Silva foi preso sob suspeita de ser o autor do crime.
- Evelin de Souza Saraiva, de 38 anos, baleada dentro de uma pastelaria na zona norte da capital. O ex-companheiro, motivado por ciúmes do novo relacionamento da vítima, utilizou duas armas de fogo e já havia feito ameaças anteriores. Ele foi preso nesta semana.
- Fernanda Silveira Andrade, arquiteta de 29 anos assassinada em outubro. O ex-namorado, que já a teria agredido anteriormente, é apontado como autor do crime. Familiares relataram que Fernanda vinha sofrendo ameaças, e seu corpo foi encontrado em Parelheiros após o suspeito indicar o local do enterro à polícia.
Estupros apresentam leve queda, mas números ainda são preocupantes
Em contraste com os feminicídios, os registros de estupro no estado de São Paulo apresentaram uma leve queda de 0,9% em 2025, passando de 14.579 para 14.443 casos. Apesar da redução, esse número ainda representa quase 40 ocorrências por dia nas cidades paulistas, evidenciando um problema estrutural de violência sexual. Na capital, os dados seguiram a mesma tendência ao longo do ano, com queda de 2,5%, mas em dezembro houve uma alta de 5,3%, subindo de 225 para 237 registros.
Contexto e implicações dos dados divulgados
A SSP não comentou os números até a manhã desta quinta-feira (29), quando a reportagem teve acesso aos dados referentes ao mês de dezembro, que completaram as estatísticas do ano passado. Cada caso de feminicídio corresponde a um boletim de ocorrência registrado com a tipificação específica, embora o número de vítimas possa ser maior, já que mais de uma mulher pode ser assassinada em um mesmo episódio. A persistência de altos índices de violência de gênero reforça a necessidade de políticas públicas eficazes e campanhas de conscientização para combater esse grave problema social.