São Paulo registra um feminicídio a cada 25 horas no primeiro bimestre de 2026
Feminicídio em SP: uma morte a cada 25 horas no bimestre

São Paulo registra um feminicídio a cada 25 horas no primeiro bimestre de 2026

O estado de São Paulo enfrenta um cenário alarmante de violência contra as mulheres, com 55 casos de feminicídio registrados no primeiro bimestre de 2026. Esse número representa uma média de uma mulher assassinada a cada 25 horas, conforme dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Em comparação com o mesmo período de 2025, houve um aumento significativo de 31% nas ocorrências desse tipo de crime, evidenciando uma tendência preocupante que exige atenção urgente das autoridades e da sociedade.

Caso emblemático em Carapicuíba ilustra a gravidade da situação

Um dos crimes mais recentes ocorreu no último domingo, 29 de março, na cidade de Carapicuíba, localizada na Região Metropolitana de São Paulo. Cícero Bezerra da Silva, de 51 anos, foi preso sob suspeita de assassinar sua ex-mulher, Lucélia Aparecida Nascimento da Silva, de 38 anos. O crime aconteceu dentro da residência da vítima, em um episódio que chocou a comunidade local.

De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados por volta das 7h30 para atender a uma chamada de violência doméstica. Ao chegarem ao local, encontraram Lucélia caída em uma escada, já sem vida. A vítima apresentava uma faca cravada nas costas e lesões no pescoço, indicando a brutalidade do ataque. O suspeito tentou fugir, mas foi localizado e preso ainda no mesmo dia, por volta das 21h30, na mesma cidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Histórico de violência e relacionamento conturbado

A irmã de Lucélia relatou à polícia que o casal manteve um relacionamento por aproximadamente 20 anos e teve dois filhos juntos. Foi um dos filhos quem acionou a Polícia Militar durante o incidente. Segundo os depoimentos colhidos, a relação sempre foi marcada por conflitos e vários términos. Atualmente, os dois estavam separados, mas o suspeito esteve na casa da vítima um dia antes do crime, aparentemente embriagado, e discutiu com ela.

A investigação revelou que Cícero já possuía um histórico de violência doméstica, com três boletins de ocorrência registrados contra ele. Além disso, ele já havia sido preso anteriormente por descumprir medidas protetivas impostas pela Justiça, o que levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de proteção disponíveis.

Desafios na aplicação de medidas protetivas e conscientização

Para a delegada Cristine Nascimento Guedes Costa, titular da 1ª Delegacia da Mulher (DDM), a conscientização das mulheres sobre a importância de registrar boletins de ocorrência melhorou nos últimos anos. No entanto, garantir o cumprimento das medidas protetivas ainda é um grande desafio para a polícia.

"Elas já estão vindo, já estão fazendo a medida protetiva, já estão fazendo o boletim de ocorrência. O que a gente quer, agora, é que ela comunique a gente desses descumprimentos reiterados", afirmou Cristine. Ela destacou que, se a vítima não informa a polícia sobre violações das medidas protetivas – seja por meios eletrônicos ou físicos –, as autoridades não têm como saber a situação de risco e intervir a tempo.

A delegada também mencionou que a DDM registra casos de violência doméstica quase diariamente. Apesar disso, ela estima que aproximadamente 80% das vítimas de feminicídio não haviam formalizado denúncias prévias, o que sublinha a necessidade de campanhas mais efetivas de prevenção e apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Os dados apresentados pela SSP reforçam a urgência de políticas públicas mais robustas e ações coordenadas entre diferentes setores da sociedade para combater a violência de gênero. Aumentar a fiscalização e o apoio às vítimas pode ser crucial para reverter essa tendência crescente de feminicídios no estado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar