Feminicídio em Ribeirão Preto: Mulher de 42 anos é morta a facadas pelo marido
Feminicídio em Ribeirão Preto: vítima tinha medo do marido

A frequência de casos de feminicídio voltou a chamar a atenção das autoridades e da sociedade em São Paulo, após mais um crime brutal ocorrido em Ribeirão Preto. Na madrugada de segunda-feira, 29 de janeiro, a vida de Daniela Messias Trindade Ferreira, de 42 anos, foi ceifada a facadas pelo próprio marido, o pintor Carlos Henrique Fermino Lopes, de 37 anos.

O crime que chocou a cidade

O assassinato aconteceu dentro da casa do casal, no Parque Ribeirão, local onde viviam com os filhos de um primeiro casamento de Daniela e o filho de seis anos do próprio casal. A cena de violência foi testemunhada pela criança. De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/SP), um dos filhos da vítima conseguiu interromper a agressão, mas já era tarde demais.

O socorro médico foi acionado, porém Daniela já não apresentava sinais de vida quando a ambulância chegou. O suspeito, Carlos Henrique, tentou fugir e se esconder em uma árvore no quintal da residência, mas foi preso em flagrante pelos policiais militares. Ele agora responde pelo crime de feminicídio.

O medo silencioso e a esperança frustrada

Em depoimento emocionado, a amiga da vítima, Eduarda Neves, revelou que Daniela, apesar de aparentar força e alegria, vivia um relacionamento conturbado e demonstrava medo do companheiro. "Ela só demonstrava força, ela era muito forte, mas nos momentos que a gente tinha só nós duas, longe do pessoal, a gente conversava muito sobre essa situação", contou Eduarda.

Segundo a amiga, Daniela já tentava se separar há muito tempo, mas encontrava dificuldades e, no fundo, sentia medo. Eduarda relatou ainda que a vítima amenizava os episódios de conflito, na esperança de uma mudança. "Ela falava assim: 'já resolvi', 'já deu certo', 'já faz muito tempo', 'ele melhorou'", disse, destacando a esperança que Daniela mantinha de melhorar a relação.

Uma vida dedicada à família

Daniela é descrita por quem a conhecia como uma mulher independente, forte e extremamente dedicada aos quatro filhos. "Ela cuidava tão bem dos filhos. Ela era extremamente amorosa, era cuidadosa e carinhosa com todo mundo", lamentou Eduarda. A amiga também expressou um sentimento comum entre os que ficam: a culpa por não ter conseguido fazer mais. "A gente até se culpa um pouco porque acha que não fez o suficiente", afirmou.

O caso, que terminou com a apreensão da arma do crime—uma faca—no local, reforça o alerta para a gravidade da violência doméstica e a importância de redes de apoio e denúncia. A tragédia em Ribeirão Preto deixa quatro crianças sem a mãe e evidencia, mais uma vez, o caminho fatal que a agressão no ambiente familiar pode tomar.