Feminicídio choca cidade do interior paulista
Uma tragédia marcou o domingo de Páscoa em Patrocínio Paulista, no interior de São Paulo. Lauany de Souza Osório, de apenas 27 anos, foi brutalmente assassinada a facadas pelo ex-marido, Lucas Ferreira, de 36 anos. O crime ocorreu na tarde de domingo (5), no bairro João Lopes Sobrinho, zona urbana da cidade, e foi registrado como feminicídio pelas autoridades policiais.
Vítima tinha medida protetiva e foi atacada ao pedir ajuda
O casal havia vivido juntos por sete anos, mas estava separado há apenas duas semanas. Apesar da recente separação, Lauany já possuía uma medida protetiva contra o ex-companheiro, demonstrando o histórico de violência no relacionamento. Testemunhas relatam que a vítima procurou refúgio em uma residência próxima, pedindo água e solicitando que a polícia fosse acionada, pois estava sendo ameaçada por Ferreira.
Segundo relatos, quando a dona da casa foi buscar água, Lucas Ferreira empurrou-a e iniciou o ataque contra a ex-esposa. "Ele começou a dar os golpes. Foi quando ela caiu no chão, não teve nem tempo de pedir ajuda", afirmou Tainá Nascimento, atendente de restaurante e vizinha do local do crime, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.
Mãe da vítima revela detalhes do último contato
Rosângela de Souza, mãe de Lauany, contou que a família estava comemorando o domingo de Páscoa em um sítio na zona rural quando a filha decidiu ir à cidade. A vítima teria mentido sobre estar conversando com o ex-marido pelo celular, afirmando que se comunicava com um amigo. Pouco depois, o encontro fatal aconteceu.
"Ela falou 'mãe, vou na cidade'. Falei 'você está conversando com ele no telefone?'. Ela falou 'não, mãe, estou conversando com um amigo meu'. Mas estava conversando com ele no celular", relatou a mãe, visivelmente abalada pela perda.
Histórico de violência e medidas protetivas
O relacionamento entre Lauany e Lucas sempre foi marcado por ameaças e agressões, conforme afirmou a família da vítima. A decisão de pedir o divórcio e retornar para a casa dos pais foi tomada por Lauany como forma de proteção. Além da medida protetiva para si mesma, a jovem também havia conseguido proteção judicial para a filha do casal, de 7 anos, e para o pai dela.
Os três já haviam sido ameaçados por Lucas em ocasiões anteriores, o que aumenta a preocupação da família com a segurança após o feminicídio. A mãe de Lauany expressou seu medo e revolta: "Eu quero lei, eu quero que pegue ele, porque a gente não está dormindo e nem vai dormir sossegado por medo de ele aparecer lá e fazer alguma coisa".
Agressor segue foragido e investigações continuam
Lucas Ferreira fugiu imediatamente após cometer o crime e, até o momento, não foi localizado pelas autoridades. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio qualificado, considerando a violência doméstica e familiar. Lauany foi atingida por pelo menos dez facadas, conforme apuraram as investigações iniciais.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo foi contatada para prestar esclarecimentos sobre o caso, mas não havia se manifestado até a última atualização. A defesa de Lucas Ferreira também não foi localizada para comentar as acusações.
A comunidade de Patrocínio Paulista está em choque com a brutalidade do crime, que ocorreu em pleno feriado de Páscoa. O caso reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e a necessidade de maior proteção para mulheres em situação de violência doméstica.



