Família já temia por segurança de jovem antes de ataque brutal por ex-colega de trabalho
A família da auxiliar administrativa Mariele Vitória Alves de Lima, de 22 anos, já estava preocupada com a segurança da jovem antes do ataque brutal que sofreu na segunda-feira (2) em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife. O agressor, José Leonardo Pereira da Silva, de 35 anos, foi preso em flagrante após esfaquear e incendiar a vítima no local de trabalho.
Relacionamento profissional que se tornou pesadelo
Segundo Estefânia Maria da Cunha, irmã de Mariele, o agressor se apaixonou pela vítima durante o período em que trabalharam juntos num escritório na cidade. A família mantinha conversas constantes sobre a situação e tinha receios concretos em relação ao comportamento do homem, que havia sido demitido cerca de um mês antes do ataque.
"Perguntei a ela se tinha alguma possibilidade de ele ir lá, até porque, hoje em dia, nós, mulheres, não temos segurança alguma. A cada minuto, segundo, a gente está morrendo a troco de nada, por dizer que não quer", relatou Estefânia em entrevista.
O ataque brutal no local de trabalho
Na segunda-feira, José Leonardo invadiu o escritório onde Mariele trabalhava e atacou a mulher com golpes de faca. Testemunhas relataram que, em seguida, ele jogou no corpo dela "thinner", uma mistura inflamável de solventes orgânicos usada para diluir tintas, e ateou fogo à vítima.
O criminoso foi contido por pessoas que estavam no local até a chegada da polícia. Ele foi preso em flagrante e levado à delegacia, onde foi autuado por tentativa de feminicídio pela Polícia Civil.
Sinais de alerta ignorados
Estefânia revelou que, quando trabalhavam juntos, Mariele e o agressor tinham uma relação próxima, mas a vítima começou a se sentir desconfortável com alguns comportamentos do homem. A jovem não detalhou quais atitudes específicas causaram o desconforto, mas disse à família que tinha se afastado e "encerrado o ciclo" com o ex-colega.
"Até perguntei para ela, há uns 15 dias, 'e aí, Mariele, como está aquela situação?', porque ele acabou seguindo a família nas redes sociais. Me seguiu, seguiu a tia dela... Quando eu olhei, percebi que o estereótipo dele era estranho e perguntei, me preocupei. Ela me falou que tinha bloqueado", contou a irmã.
Estado de saúde e procedimentos legais
Após o ataque, Mariele foi socorrida e levada para o Hospital da Restauração, na área central do Recife, onde permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo a família, o estado de saúde dela é considerado estável, embora as queimadiras e ferimentos sejam graves.
O agressor foi posto à disposição da Justiça, que deve decidir se ele responde pelo crime em liberdade ou se segue no sistema prisional. Até o fechamento desta reportagem, José Leonardo ainda não tinha passado por audiência de custódia.
Canais de denúncia em Pernambuco
Em casos de violência contra mulher em Pernambuco, as denúncias podem ser feitas através de diversos canais:
- Central de Atendimento à Mulher: telefone 180 (funciona 24 horas por dia)
- Polícia Militar: 190 (quando o crime estiver acontecendo)
- Disque-Denúncia da Polícia Civil no Grande Recife: (81) 3421-9595
- Ministério Público de Pernambuco: 0800.281.9455 (segunda a sexta, das 12h às 18h)
- Ouvidoria da Mulher de Pernambuco: 0800.281.8187
Os endereços e telefones das Delegacias da Mulher podem ser consultados no site do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
