Família contesta suicídio em morte de jovem com medida protetiva em Campo Grande
Família contesta suicídio em morte de jovem com medida protetiva

Família contesta versão de suicídio em morte de jovem com medida protetiva em Campo Grande

Familiares e amigos se despediram com profunda emoção neste domingo (8), em Campo Grande, da jovem Ludmila Pedro de Lima, de apenas 25 anos, cuja morte está sendo minuciosamente investigada pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul. Durante o velório, marcado por lágrimas e indignação, parentes contestaram veementemente a versão inicial registrada pelas autoridades policiais, que sugeria a possibilidade de suicídio.

Circunstâncias da morte e histórico de violência

Ludmila faleceu entre a tarde de sexta-feira (6) e a manhã de sábado (7), após ser encontrada inconsciente na residência do namorado, localizada no bairro Paulo Coelho Machado. Amigos próximos revelaram que a jovem já havia relatado publicamente episódios de violência através de suas redes sociais no ano anterior. Fotografias que circulam entre conhecidos mostram Ludmila com marcas visíveis de agressão física.

Em uma das publicações mais impactantes, ela descreveu ter sofrido violência tanto física quanto psicológica, afirmando ainda que o companheiro teria compartilhado vídeos íntimos sem sua autorização. "Se eu não tivesse sido forte, eu não estaria mais nem viva para contar a história", escreveu Ludmila em uma postagem que agora ganha trágica ressonância.

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Medida protetiva e agressões anteriores

Documentos policiais confirmam que Ludmila possuía medida protetiva de urgência contra o namorado. Em um incidente registrado em 13 de agosto de 2025, após uma discussão acalorada, o companheiro ordenou que ela saísse da casa e começou a empurrá-la juntamente com sua motocicleta para fora da residência. Durante a confusão, ao tentar se segurar no portão, a vítima teve os dedos da mão direita atingidos quando o suspeito fechou violentamente o portão de correr.

Após essas agressões, a jovem decidiu encerrar definitivamente o relacionamento. Contudo, aproximadamente um mês depois, em 19 de setembro de 2025, o homem teria criado um perfil falso e publicado em um grupo do Facebook um vídeo íntimo em que aparece mantendo relações sexuais com Ludmila, sem qualquer autorização, em claro ato de vingança. O último registro relacionado ao caso data de 22 de agosto de 2025, por descumprimento de decisão judicial.

Versão policial inicial e questionamentos familiares

De acordo com o boletim de ocorrência, Ludmila foi encontrada inconsciente na noite de sexta-feira na casa do namorado. Quando as equipes de socorro chegaram ao local, ela apresentava convulsões. A jovem foi transportada em estado gravíssimo para atendimento médico emergencial, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no sábado.

Em depoimento prestado à polícia, o namorado relatou que o casal havia discutido anteriormente. Segundo sua versão, ao chegarem à residência, Ludmila teria ingerido cocaína voluntariamente e passado mal em seguida. O homem também afirmou que as lesões faciais da jovem teriam sido causadas por uma queda durante o episódio convulsivo. O caso foi inicialmente registrado como tentativa de suicídio, e o companheiro foi ouvido e liberado.

A família rejeita completamente essa narrativa. O irmão da vítima, Lucas Pedro de Lima, descreveu com angústia o momento em que viu o estado da irmã: "Cheguei no local e vi minha irmã toda machucada, com o pé ralado, a cabeça ferida. Ela estava sem roupa. Não tem como aceitar que uma menina de 25 anos ficou daquele jeito".

Cleizer Cristiano Araújo Pedro, mãe de Ludmila, emocionada, afirmou que a filha não teria motivos para tirar a própria vida: "A minha filha não tirou a vida. Ela estava com o rosto machucado, com pancada na cabeça. Não tinha motivo nenhum para fazer isso".

Perfil da vítima e engajamento comunitário

Pessoas próximas descreveram Ludmila como uma jovem extremamente trabalhadora e comprometida com ações sociais em sua comunidade. "Ela sempre estava envolvida tentando ajudar as crianças carentes aqui da região. Participava muito das ações que a gente fazia para o Dia das Crianças", relatou Luiz Matheus Santa Rosa, assistente jurídico e amigo da família.

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Doralice Araújo Pedro, avó que morava com a neta, lembrou com carinho da dedicação de Ludmila: "Ela fazia entrega de lanche de bicicleta, trabalhava como motorista de aplicativo no carro dela, limpava piscina, casa... também fazia cabelo, alisamento. Ela não tinha preguiça para nada. Era só chamar que ela ia trabalhar".

Andamento das investigações

A Polícia Civil informou que todas as hipóteses continuam sendo rigorosamente analisadas. Até o presente momento, conforme a investigação, não existem indícios técnicos ou periciais que confirmem a tese de feminicídio. O caso está sendo apurado pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª Deam), que aguarda os resultados dos exames necroscópicos e periciais para esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte.

A reportagem tentou contato com a defesa do namorado de Ludmila, mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria. A comunidade local permanece em alerta, enquanto a família busca justiça e clareza sobre os eventos que levaram à trágica perda desta jovem tão querida.