Ex-marido condenado a 31 anos de prisão por feminicídio em Anápolis
O ex-marido Edney Pereira dos Santos foi condenado a 31 anos de prisão nesta quarta-feira (25), em Anápolis, na região central de Goiás, pelo assassinato da empresária Regiane Pires da Silva, de 39 anos. A sentença, proferida pelo juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende, inclui os crimes de feminicídio, homicídio qualificado e porte e disparo de arma de fogo, com pena a ser cumprida em regime fechado.
Detalhes do crime filmado que chocou a região
O crime ocorreu no dia 28 de março de 2024, dentro de uma loja de autopeças administrada pela vítima. Um vídeo que circulou amplamente mostra o momento em que Edney entra no escritório, dá um tapa no rosto de Regiane e, em seguida, efetua múltiplos disparos contra ela. Segundo investigações policiais, três dos quatro tiros atingiram a empresária, que faleceu no local.
O delegado responsável pelo caso, Wllisses Valentim, explicou que o casal estava em processo de divórcio, o que teria motivado o crime. Eles eram proprietários de duas lojas, cada um ficando em um escritório separado. Na ocasião, Regiane havia pedido a uma funcionária que fosse até a outra loja solicitar a chave de um cofre onde guardava suas joias, iniciando uma discussão sobre a divisão de bens.
Julgamento e reação da defesa
O júri popular realizado na comarca de Anápolis ouviu testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. O advogado de Edney, Claudemir Andrade, afirmou que a defesa não ficou surpresa com a condenação e já prepara uma apelação para reduzir a pena dentro dos prazos legais.
O Ministério Público de Goiás havia denunciado Edney um mês após o crime pelos delitos de violência doméstica, homicídio por motivo torpe, porte ilegal de arma e descumprimento de medida protetiva. A investigação apurou que ele atirou contra Regiane enquanto violava uma ordem judicial que o obrigava a manter distância mínima de 300 metros da vítima.
Fuga e prisão do acusado
Após cometer o feminicídio, Edney efetuou outro disparo em via pública e fugiu para o estado do Tocantins, onde foi posteriormente preso. Amigos da vítima relataram que Regiane vinha sofrendo ameaças do ex-marido, reforçando o histórico de violência doméstica.
Funcionários presentes no local relataram ter ouvido os gritos de socorro da empresária, mas, ao chegarem ao escritório, já a encontraram sem vida. O caso gerou comoção na comunidade local e destacou a gravidade da violência contra a mulher, especialmente em contextos de separação conjugal.



