Mobilização estudantil marca Dia da Mulher com ação contra violência feminina no Piauí
Os casos de violência contra a mulher no Piauí apresentaram um aumento alarmante de 17,6% em 2025, conforme dados do relatório "Elas Vivem: a urgência da vida", divulgado nesta sexta-feira (6) pela Rede de Observatórios de Segurança. O estado registrou um total de 379 mulheres vítimas de diversas formas de violência no último ano, destacando uma crise estrutural de misoginia e controle sobre os corpos femininos que reflete a realidade nacional.
O perigo dentro de casa: parceiros e ex-companheiros são os principais agressores
O levantamento aponta que o maior risco para as mulheres está dentro de suas próprias residências. Impressionantes 76,7% das mulheres assassinadas no Piauí foram mortas por parceiros ou ex-companheiros, evidenciando que o "não" de uma mulher ainda pode custar sua vida. Entre as principais motivações para esses crimes estão o término de relacionamentos e um sentimento de posse por parte dos agressores, que muitas vezes não aceitam a autonomia feminina.
Além do avanço geral da violência, o número de mortes violentas de mulheres — incluindo feminicídios e homicídios — aumentou 4,8% no estado. Teresina emerge como a cidade com o maior número de casos, concentrando 29,3% das vítimas registradas no Piauí e 32,1% dos feminicídios. Essa concentração na capital sublinha a urgência de políticas públicas mais eficazes e acessíveis em todas as regiões.
Armas e lacunas nos dados: desafios no combate à violência
O relatório detalha que armas brancas, como facas, foram utilizadas em 28,9% dos assassinatos, enquanto armas de fogo apareceram em 18,4% dos casos. No entanto, um problema grave na coleta de dados dificulta a criação de políticas públicas específicas: 92,9% das vítimas de feminicídio não tiveram raça ou cor registradas. Essa falta de informação impede uma compreensão mais profunda do perfil das vítimas e a implementação de medidas direcionadas.
A violência também atinge de forma significativa meninas e adolescentes. Entre as 53 vítimas de violência sexual, 43,4% tinham até 17 anos, revelando uma vulnerabilidade extrema entre as mais jovens. As pesquisadoras Lila Cristina Xavier Luz, Maria D’Alva Macedo Ferreira e Marcela Castro Barbosa alertam que as políticas de atendimento ainda são insuficientes, com apoio do estado muitas vezes não chegando às periferias e cidades distantes da capital.
Formação contínua e combate à naturalização da violência
Segundo as especialistas, "o poder simbólico da autoridade de pais, líderes e professores muitas vezes alimenta uma rede de abusos", destacando a necessidade de investir em formação contínua para profissionais e comunidades. É urgente combater a naturalização da violência, inclusive no ambiente digital, onde agressões podem se propagar e se intensificar.
Para mulheres em situação de risco em Teresina, serviços especializados estão disponíveis, como o Núcleo de Atendimento às Vítimas, que oferece apoio psicológico, jurídico e assistência social de segunda a sexta, das 8h às 13h, na Rua Mato Grosso, 268, Ilhotas. A Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, localizada no Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, no Centro Cívico, também presta assistência essencial.
Em meio a esses dados preocupantes, a mobilização de estudantes pelo Dia da Mulher representa um passo importante na conscientização e no enfrentamento da violência feminina, reforçando a luta por uma sociedade mais segura e igualitária para todas as mulheres.
