Estudante de Psicologia é vítima de feminicídio por ex-companheiro em Itapecerica da Serra
A jovem estudante de Psicologia Vitória Silva de Oliveira Pedroso, de apenas 20 anos, foi brutalmente assassinada pelo seu ex-companheiro Bruno Rodrigo Martins, de 25 anos, na última segunda-feira (23), na Rua Júlio Manoel de Araújo, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. O criminoso foi preso em flagrante pelo crime de feminicídio após tentar fugir de moto, mas foi capturado pelas autoridades policiais.
Detalhes do crime e prisão do agressor
O corpo de Vitória apresentava claros sinais de estrangulamento, conforme constatado pelos peritos. Bruno Rodrigo Martins, ao ser detido, fez uma declaração chocante, afirmando que a vítima o havia traído e expressando um suposto arrependimento pelo ato hediondo que cometeu. "A desgraçada me traiu. Aluguei a casa lá pra ela e ela colocou outro cara dentro da casa lá. Eu me arrependo até agora", declarou o assassino, conforme registrado no momento da prisão.
A defesa de Bruno não foi localizada para se manifestar sobre o caso, deixando muitas questões em aberto sobre o histórico do agressor e as circunstâncias que levaram a essa tragédia.
Histórico de violência e medida protetiva
Vitória Silva de Oliveira Pedroso fazia parte do programa "Guardiã Maria da Penha" em Itapecerica da Serra, uma iniciativa crucial que monitora mulheres em situação de violência doméstica e que possuem medidas protetivas. Ela mantinha uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que já acumulava diversas passagens policiais, incluindo registros por agressão, lesão corporal e roubo.
Um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Itapecerica revelou em entrevista que, há aproximadamente um mês, Vitória acionou o botão do pânico após ser agredida por Bruno, que foi detido na ocasião. "Dia 25 [de janeiro] ela acionou o botão do pânico e nossas equipes foram até o local e conduziram o mesmo [Bruno] para a delegacia. Ela tinha sido agredida. O mesmo ficou à disposição da Justiça, porém, deve ter saído na audiência de custódia", explicou o guarda.
No entanto, a vítima mudou de endereço posteriormente e não atualizou essa informação no sistema do programa. "Possivelmente, ela reatou com ele e esse endereço não estava cadastrado no nosso sistema. E na data de hoje fomos acionados por populares e encontramos a vítima sem vida", completou o agente, destacando a falha no sistema de proteção que pode ter contribuído para o desfecho fatal.
Sepultamento e luto da família
O corpo de Vitória Silva de Oliveira Pedroso será enterrado na manhã desta quarta-feira (25), no Cemitério Valle dos Reis, em Taboão da Serra. A família e amigos se reúnem em um momento de profunda dor e indignação, enquanto a comunidade local se mobiliza para oferecer apoio e exigir justiça.
Outro caso de feminicídio na Zona Norte de São Paulo
Em um triste paralelo, também na segunda-feira (23), a jovem Priscila Versão, de 22 anos, foi vítima de feminicídio na Zona Norte de São Paulo, após ser espancada pelo companheiro Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, que foi preso em flagrante. A mãe de Priscila, Selma Alves Ribeiro da Silva, afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo e tóxico, e que ela havia tentado, sem sucesso, convencê-la a se afastar do agressor após episódios anteriores de violência.
Priscila trabalhava como autônoma e deixa três filhos pequenos: um de seis anos, outro de quatro anos e um bebê de apenas seis meses. Selma, que trabalha como faxineira, compartilhou sua angústia sobre o futuro financeiro, já que agora terá que criar os três netos sozinha. "Acabou para mim, não acredito em mais nada, não quero fazer mais nada, não vai ter como eu fazer mais nada. Não vai ter como eu trabalhar de dia ou como entrar em uma empresa de noite, porque eu tenho que cuidar dos filhinhos dela. Estou de mãos atadas", desabafou a avó.
Segundo relatos familiares, a agressão ocorreu dentro de um carro por volta das 4h30, após uma festa na Avenida Julio Bueno, no Jardim Brasil. Priscila foi levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopoli já sem sinais de vida, com marcas de agressão, hematomas, escoriações pelo corpo e um sangramento no nariz. As roupas dela tinham cheiro de gasolina, conforme consta no Guia de Encaminhamento de Cadáver.
Deivit chegou ao hospital com Priscila já morta e ameaçando atear fogo ao próprio corpo. Após se acalmar, ele explicou aos policiais que comprou gasolina com a intenção de se suicidar, mas desistiu. Alegou que, ao voltar ao bar, encontrou Priscila jogada no chão com sangramento no nariz e a levou ao hospital, uma versão que está sob investigação.
Esses dois casos de feminicídio, ocorridos em menos de 24 horas na Grande São Paulo, destacam a alarmante realidade da violência contra as mulheres e a urgência de medidas mais eficazes de proteção e prevenção.
