Problemas no Rio Dourados em Lins
Moradores e proprietários de ranchos às margens do Rio Dourados, em Lins (SP), estão enfrentando sérios transtornos devido ao acúmulo de grandes moitas de plantas aquáticas. Diferentemente dos conhecidos aguapés que costumam aparecer em Barra Bonita (SP), a vegetação que atinge a região é composta por plantas maiores e mais pesadas, que têm causado prejuízos materiais significativos.
Prejuízos e bloqueios
Vídeos enviados por moradores mostram que a quantidade de plantas é tão grande que impede a navegação de barcos e motos aquáticas. O peso da vegetação, ao ser arrastado pela correnteza, chegou a destruir estruturas de madeira e píeres de ranchos na localidade. Segundo os proprietários, o acúmulo ocorre porque as plantas não conseguem passar por baixo da ponte que liga Lins a Sabino (SP). Isso cria uma barreira natural que trava o fluxo do rio e concentra a “massa verde” em frente às propriedades.
O que dizem os órgãos responsáveis
Os moradores afirmam que já buscaram auxílio junto à Marinha e à concessionária de energia, mas nenhuma providência foi tomada até o momento. Em nota, a Auren Energia, responsável pela Usina Hidrelétrica de Promissão, esclareceu que a proliferação dessas macrófitas (plantas aquáticas) ocorre naturalmente nos rios afluentes e não está relacionada à geração de energia. Segundo a empresa, fatores como variações de temperatura e disponibilidade de nutrientes influenciam no crescimento da vegetação, que se desprende e segue o fluxo do rio. A companhia informou que monitora a qualidade da água e mantém diálogo com órgãos públicos.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que o fenômeno está associado à eutrofização, processo favorecido pelas altas temperaturas e chuvas, que estimulam a proliferação de algas e vegetação. O órgão destacou que mantém fiscalização na região, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e que, desde o ano passado, já realizou mais de 400 inspeções no Rio Tietê e seus afluentes, aplicando multas que somam R$ 13,8 milhões por irregularidades ambientais. A Marinha também foi procurada pela reportagem, mas ainda não enviou posicionamento sobre o caso.



