Empresário de 69 anos é acusado de violência doméstica por advogada em Boa Vista
Empresário acusado de violência doméstica por advogada em Boa Vista

Empresário do setor energético é acusado de violência doméstica por esposa advogada em Roraima

Uma advogada de 43 anos registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Boa Vista, denunciando ter sido vítima de agressões e ameaças por parte do marido, o empresário Juracy Leite de Araújo, de 69 anos, que atua no ramo de infraestrutura no setor de energia. A vítima, que preferiu manter sua identidade em sigilo, conseguiu uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça local.

Episódios recentes de ameaças e violência psicológica

No boletim de ocorrência, registrado em 3 de março, a advogada relatou uma série de episódios de violência física, psicológica e patrimonial ocorridos ao longo do relacionamento, que teve início em 2006. "Eu fui violentada de todas as formas ao longo do tempo", declarou a profissional, descrevendo um padrão de comportamento abusivo que se intensificou recentemente.

As ameaças mais recentes ocorreram no início de março deste ano. No dia 1º, o empresário encontrou a porta do quarto trancada e insistiu para entrar. Após ser autorizado, passou a fazer ofensas e disse: "você não perde por esperar". Quando questionado se a frase constituía uma ameaça, ele apenas repetiu a expressão de maneira intimidatória.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Três dias depois, por volta das 5h da manhã de 3 de março, a advogada saiu do quarto para preparar café, acreditando que o marido estivesse dormindo. O empresário acordou ao ouvir o barulho da porta e iniciou uma nova discussão, repetindo a mesma frase ameaçadora. "O estopim foi terça-feira, a discussão às 5h da manhã. Ele disse que eu não perdia por esperar, me ameaçou dessa forma", relatou a vítima.

Histórico de violência ao longo de 18 anos de casamento

De acordo com o relato detalhado, as agressões incluíam:

  • Enforcamentos e apertões nos braços
  • Xingamentos, humilhações e gritos constantes
  • Desqualificação de sua capacidade intelectual e profissional
  • Controle dos gastos domésticos e questionamento de qualquer despesa
  • Impedimento de trabalhar e desenvolver sua carreira

O casal tem um filho em comum, e a advogada afirma que as ameaças se intensificavam quando ela mencionava a intenção de se separar. Segundo seu depoimento, o empresário dizia que disputaria a guarda do filho na Justiça e venceria por ter recursos financeiros, chegando a afirmar que poderia "comprar quem quisesse" e que teria o Judiciário e o Ministério Público "em suas mãos".

Medida protetiva concede proteção urgente à vítima

Em 4 de março, a Justiça concedeu medida protetiva de urgência em favor da advogada, decisão assinada pelo juiz Parima Dias Veras. O magistrado considerou que a conduta do empresário configura violência doméstica e familiar contra a mulher, "tratando-se de situação grave".

Entre as medidas determinadas pela Justiça estão:

  1. Afastamento do empresário da residência familiar
  2. Proibição de frequentar locais frequentados pela vítima e pelo filho
  3. Proibição de qualquer contato com ela, familiares ou amigos
  4. Proibição de enviar ou divulgar conteúdo intimidatório
  5. Distância mínima de 500 metros da vítima

Posicionamento das partes envolvidas

Procurada pelo g1, a defesa do empresário Juracy Leite de Araújo afirmou que ele recebeu a notícia com consternação, "pois nunca houve qualquer episódio que foi narrado", e que tudo será devidamente esclarecido e provado no juízo competente. A Polícia Civil também foi contactada para informar se investiga o caso, mas não respondeu até a última atualização da reportagem.

A advogada relata ainda que, em uma ocasião, chegou a prestar concurso público, mas foi humilhada e ameaçada pelo marido, que disse que, caso fosse aprovada, teria que arcar sozinha com todas as despesas da residência. Ela também foi aprovada em um vestibular para o curso de medicina em São Paulo, mas o empresário se recusou a custear os estudos, alegando que ela o abandonaria caso conquistasse independência financeira.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar