Crime da mala: Familiares se despedem de Brasília Costa cinco meses após feminicídio
Despedida de vítima de feminicídio cinco meses após crime

Crime da mala: Familiares se despedem de Brasília Costa cinco meses após feminicídio brutal

Mais de cinco meses após um crime que chocou o Rio Grande do Sul, amigos e familiares finalmente puderam se despedir de Brasília Costa, de 65 anos, vítima de um feminicídio hediondo. A mulher foi assassinada e esquartejada pelo companheiro, o publicitário Ricardo Jardim, em um caso que ficou conhecido como "crime da mala" devido à descoberta macabra de partes do corpo em uma bagagem.

Velório emocionante em Jaguarão marca despedida tardia

O velório de Brasília aconteceu nesta sexta-feira no Cemitério Municipal de Jaguarão, localizada no Sul do estado, cidade onde a vítima passou sua infância e juventude. A cerimônia, que durou pouco mais de uma hora – cerca de 30 minutos a menos do que o previsto inicialmente –, foi marcada por lágrimas e homenagens. O sepultamento ocorreu por volta das 9h15, encerrando um período de angústia prolongada para os entes queridos.

O irmão dela, Manoel Telles, que ainda reside em Jaguarão, ficou todo o tempo ao lado do caixão, lamentando profundamente a perda da ítima. Em declaração emocionada, o genro de Manoel, Mateus Vaz, destacou o sofrimento da família nos últimos meses. "Esses meses foram bem difíceis, principalmente para o seu Manoel. Desejamos agora que a justiça seja feita. Se ele não tivesse sido solto lá atrás, hoje ela estaria conosco", afirmou, referindo-se a eventos anteriores no caso.

Processo judicial avança com audiência marcada

Enquanto a família busca por encerramento, o processo judicial segue seu curso. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) marcou uma audiência para o próximo dia 25 de fevereiro, embora uma data para o julgamento ainda não tenha sido definida. Ricardo Jardim, suspeito de matar, esquartejar e esconder as partes do corpo de sua namorada, foi denunciado pelo Ministério Público do RS por oito crimes, incluindo:

  • Feminicídio
  • Ocultação de cadáver
  • Falsificação de documentos
  • Vilipêndio de cadáver

A Justiça já aceitou a denúncia, transformando Jardim em réu. Ele está preso preventivamente desde setembro de 2025, e a Defensoria Pública do Estado, responsável por sua defesa, afirma que só se manifestará nos autos do processo.

Relembrando os detalhes chocantes do caso

A investigação teve início em agosto de 2025, quando o tórax da vítima foi encontrado dentro de uma mala em um guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre. Outras partes do corpo, como as pernas, foram localizadas em diferentes pontos da capital gaúcha, incluindo trechos da Zona Sul e um local ermo na Zona Leste. A polícia continua em busca do crânio de Brasília, que permanece desaparecido.

O suspeito foi identificado através de imagens de câmeras de segurança, onde em um momento crucial, ele abaixa a máscara que usava, facilitando o reconhecimento. Os atos de descarte ocorreram em duas ocasiões: em 13 de agosto, em uma área isolada sem monitoramento, e em 20 de agosto, na movimentada rodoviária, evidenciando a frieza do crime.

Este caso, que envolve violência extrema e uma trama complexa, segue como um lembrete sombrio da luta contra a violência de gênero e a busca por justiça no sistema brasileiro.