Dentista preso por suspeita de estupro de vulnerável: polícia ouve mais vítimas após 25 anos de crimes
Dentista preso por estupro de vulnerável: polícia ouve mais vítimas

Dentista preso por suspeita de estupro de vulnerável: polícia ouve mais vítimas após 25 anos de crimes

A Polícia Civil do Paraná está ouvindo mais vítimas do dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior, de 46 anos, que foi preso preventivamente na terça-feira (3) e denunciado por nove mulheres por crimes de estupro e estupro de vulnerável. Segundo o delegado Rafael Nunes Mota, responsável pela investigação, os abusos começaram há pelo menos 25 anos, quando o dentista tinha cerca de 21 anos, e se estenderam até recentemente, com um padrão de repetição que envolve familiares e conhecidos.

Histórico de abusos e investigação detalhada

De acordo com o delegado, os relatos das vítimas indicam que grande parte dos casos ocorreu durante festas de família realizadas na chácara do dentista, localizada em Teixeira Soares, cidade dos Campos Gerais do Paraná com aproximadamente 9,5 mil habitantes. As vítimas, que atualmente têm entre 27 e 40 anos, descrevem que foram abusadas quando eram crianças ou adolescentes, muitas vezes em situações isoladas ou escondidas de outras pessoas.

"A maioria dos casos aconteceu quando as vítimas eram crianças, mas há relatos de que os abusos perduraram até o início da fase adulta, quando ele oferecia a casa em Curitiba para elas irem estudar lá", afirmou o delegado Rafael Nunes Mota em entrevista ao g1. A primeira vítima procurou a polícia em outubro de 2025, o que encorajou outras cinco a também denunciarem, culminando no pedido de prisão preventiva. Após a notícia da prisão, mais três vítimas se apresentaram para depor.

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Modus operandi e impacto nas vítimas

O delegado destacou que Luis Alberto Pohlmann Júnior se aproveitava da confiança depositada nele, tanto como profissional quanto como familiar, para cometer os crimes. O modus operandi envolvia buscar momentos de isolamento com as vítimas, como durante atividades em piscinas ou sob cobertores, para evitar testemunhas. As vítimas relataram à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que carregaram o peso dos abusos em silêncio por anos.

"Por muito tempo eu achava que aquilo era só brincadeira; eu não entendia que estava sendo abusada... Por muito tempo, eu achei que eu permiti [os abusos]. Porque quando você é criança, não sabe o que está acontecendo", disse uma das vítimas. Outra acrescentou: "Eu espero que muitas vítimas se permitam a falar sobre isso [abusos], porque eu sei a sensação e eu quero que elas se permitam sentir o mesmo. Falar sobre isso é libertador! O silêncio não protege a vítima, ele protege o agressor".

Contexto legal e defesa do acusado

O dentista já é condenado por importunar sexualmente uma paciente em seu consultório em Curitiba, em casos ocorridos em 2022 e 2023, e é réu em outra ação pelo mesmo crime. Ele responde pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual. O advogado Felipe Petrin, que atua na defesa, questionou a legalidade da prisão preventiva, argumentando que foi baseada em relatos antigos e que medidas alternativas não foram avaliadas pela Justiça.

O Conselho Regional de Odontologia confirmou que o dentista possui registro ativo, mas não divulgou se há procedimentos em andamento para investigar sua conduta, alegando sigilo. A polícia continua identificando mais vítimas, embora algumas ainda relutem em falar sobre os abusos. O delegado afirmou que os depoimentos são consistentes e mostram um padrão claro, com a expectativa de interrogar o dentista ao longo desta semana.

Como denunciar crimes no Paraná

Denúncias sobre este ou outros casos podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197, da Polícia Civil, ou 181, do Disque-Denúncia. Em situações de perigo imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190. A investigação segue em andamento, com foco em garantir justiça para as vítimas e prevenir novos crimes.

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