SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Instagram deixou de oferecer criptografia de ponta a ponta nas mensagens diretas (DMs), o que faz com que o conteúdo dos chats possa ser lido por terceiros.
Fim do recurso opcional
A Meta encerrou o suporte à criptografia de ponta a ponta nas DMs do Instagram na última sexta-feira. Em nota no site de suporte, a empresa afirma: "As mensagens criptografadas de ponta a ponta no Instagram não terão mais suporte após 8 de maio de 2026". A justificativa apresentada é que poucas pessoas ativavam o recurso, que era opcional.
Um porta-voz da Meta declarou ao jornal britânico The Guardian: "Muito poucas pessoas ativavam a criptografia de ponta a ponta nas DMs, então estamos tirando essa opção do Instagram".
O que muda na prática
A alteração impacta quem consegue acessar o conteúdo das conversas. A criptografia de ponta a ponta é uma técnica que embaralha a mensagem para que apenas os dispositivos de quem envia e de quem recebe consigam lê-la, sem acesso pela plataforma que transporta o texto. Embora as mensagens sejam protegidas, a Meta detém as chaves de acesso. Assim, a empresa poderá acessá-las (ler, processar e armazenar) para cumprir ordens judiciais, realizar moderação humana ou análise por sistemas automatizados.
A Meta já utiliza criptografia de ponta a ponta por padrão no WhatsApp e também adotou a tecnologia no Facebook Messenger para mensagens pessoais. Um porta-voz sugere que quem desejar conversas protegidas utilize o WhatsApp. Em comunicado, a companhia afirmou que os usuários afetados receberão instruções para baixar mídias e mensagens.
Privacidade, anúncios e segurança infantil
Sem a criptografia, as mensagens passam a se encaixar de forma mais direta no conjunto de dados que a Meta admite coletar. A política de privacidade da empresa lista o conteúdo de mensagens enviadas e recebidas entre os dados coletados, o que, em tese, pode ser usado para personalizar recursos, treinar modelos de inteligência artificial (IA) e direcionar publicidade.
A mudança ocorre em meio à pressão de autoridades e entidades de proteção infantil, que veem a criptografia como um obstáculo à detecção de abuso. O debate ganhou força em casos como a ação do procurador-geral do Novo México nos EUA, Raúl Torrez, que alegou que a empresa sabia que a criptografia dificultaria detectar e reportar exploração sexual infantil. Em março, um júri considerou a Meta responsável e fixou US$ 375 milhões em penalidades civis.
Outras redes também têm usado o argumento do equilíbrio entre privacidade e moderação ao falar de mensagens privadas. Em março, o TikTok disse que não planeja adotar criptografia de ponta a ponta nas DMs e afirmou: "Nosso sistema de mensagens foi projetado para equilibrar a privacidade do usuário com a capacidade de responder a golpes, assédio e outras preocupações de segurança quando os usuários as denunciam ou quando exigido por lei".
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