Cunhado ameaçou cortar mãos de jovem antes de ataque com foice no CE
Cunhado ameaçou cortar mãos de jovem antes de ataque no CE

Antes de atacar Ana Clara Antero de Oliveira com uma foice, decepando uma de suas mãos e deixando a outra mutilada, Evangelista Rocha dos Santos, de 34 anos, já havia ameaçado cortar as mãos da cunhada. A revelação foi feita pela própria vítima em entrevista à TV Verdes Mares. A tentativa de feminicídio ocorreu em 1º de maio em Quixeramobim, no interior do Ceará.

Ameaças anteriores e o ataque

Evangelista é irmão de Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, que mantinha um relacionamento com Ana Clara. Após uma briga com a namorada, Ronivaldo chamou o irmão, incitando o ataque. A vítima continua internada em recuperação, tendo sofrido cortes no rosto, ombro, perna e cotovelo. Os dois irmãos foram presos e viraram réus por tentativa de feminicídio.

“Ele [Ronivaldo] foi buscar o irmão [Evangelista] com a foice, né? E o irmão já tinha falado para o meu padrastro, que é o meu pai… Tinha falado pra ele que um dia ia cortar as minhas duas mãos”, revelou Ana Clara.

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De acordo com a jovem, ela tinha pouco contato com os familiares de Ronivaldo, com quem manteve um relacionamento de quase dois anos. “Não entendo a raiva dele [Evangelista], porque é uma família que eu não tinha intimidade. Ele alega, lá quando o policial fala com ele, que é porque eu esculhambava ele, esculhambava a mãe dele. Pra ter noção, eu nunca falei um ‘oi’ com a mãe dele… Nunca falei com a mãe dele. Agora com o pai dele, sim”, explicou.

Segundo o relato de Ana Clara, Evangelista ficava sabendo de algumas brigas do casal. “A única coisa que eu falava com o irmão dele era que não se metesse no nosso relacionamento. Porque a gente brigava hoje, e amanhã tava tudo bem”, complementou a vítima.

Relacionamento conturbado

Agressões físicas anteriores e brigas constantes por ciúmes marcaram o namoro, principalmente nos últimos meses. Ana Clara relatou que Ronivaldo batia nela usando um copo térmico e deu um soco na boca dela. Ela também deixou de ir à academia e abandonou os estudos para evitar brigas com ele.

Conforme inquérito da Polícia Civil do Ceará, os irmãos acreditavam que a violência era uma forma de impor à mulher “submissão e respeito”. A constatação foi feita a partir da análise de áudios enviados pelos suspeitos após o crime. “Especialmente relevante é o conteúdo do áudio em que Ronivaldo afirma: 'era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara', revelando que a violência física era encarada como mecanismo legítimo de imposição de submissão e respeito”, disse a polícia.

Alerta para outras mulheres

Após a tentativa de feminicídio, Ana Clara quer alertar outras mulheres em relações de risco. “Eu quero que isso melhore, que as mulheres que passam por isso se saiam. Procure uma ajuda psiquiátrica, psicológica, converse com um amigo… Se saia, não esconda”, aconselhou. Ela morava com Ronivaldo e planeja voltar a morar com os familiares após a alta hospitalar.

Vítima fingiu estar morta

Ana Clara revelou que fingiu estar morta durante o ataque. O agressor saiu depois que ela ficou caída no chão sem se mexer. Sozinha, ela não conseguia mexer no celular e gritou por ajuda. Ela estava consciente o tempo todo e só dormiu antes da cirurgia de reimplante das mãos.

A noite do ataque

Antes da discussão, o casal havia saído para beber na casa de um amigo de Ronivaldo e depois foram a um restaurante. Ronivaldo ficou irritado quando Ana Clara quis voltar para casa por achar que já estava bebendo demais. A discussão continuou no carro. Durante a briga, Ana Clara jogou uma pedra contra o carro dele. Ela ficou surpresa ao ver que ele havia chamado o irmão. Enquanto Ronivaldo ficou em cima do carro, Evangelista pulou o muro da casa e pediu que ela abrisse a porta, portando uma foice.

“No que eu abri, ele já pulou a janela e foi tacando… Tacou a foice, amputou minha mão. Foi tacando assim nos meus braços, nas minhas costas. Aí eu corri pro quarto. Tentei fechar a porta do quarto, mas não consegui. E ele começou a tacar [a foice], e eu me fiz de morta”, relatou Ana Clara.

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Recuperação

A recuperação é acompanhada por uma equipe multidisciplinar. Na última sexta-feira (15), ela passou pelas primeiras sessões de fisioterapia e terapia ocupacional no Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF). Desde a internação, passou por três cirurgias: para recolocar as mãos, recompor um tendão da perna e substituir uma artéria em um dos braços. Quinze dias após a cirurgia de 12 horas, a jovem voltou a movimentar gradualmente os dedos e aprendeu a usar o celular com os pés, segundo o padrasto. Ela acumula mais de 30 mil seguidores nas redes sociais.

Irmãos viram réus

Evangelista foi preso em uma casa em Quixeramobim, onde foram apreendidos uma foice, roupas e um chinelo com manchas de sangue. Ronivaldo foi preso na residência de familiares em Madalena. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) aceitou a denúncia contra os irmãos pela tentativa de feminicídio. O processo tramita em segredo de Justiça. O Ministério Público pediu indenização de R$ 97 mil à vítima, valor sujeito a alteração. Ronivaldo já possuía antecedentes criminais por lesão corporal, ameaça, agiotagem e porte ilegal de arma de fogo. Evangelista não tinha antecedentes.