Cuidadora é afastada após suspeita de agressão a aluno autista em escola de Sorocaba
Cuidadora afastada por suspeita de agressão a aluno autista em SP

Cuidadora é afastada após suspeita de agressão a aluno com autismo em Sorocaba

A Polícia Civil está analisando imagens de câmeras de segurança que podem comprovar a agressão de uma cuidadora contra um aluno autista de 11 anos, em uma escola estadual de Sorocaba, no interior de São Paulo. A denúncia foi formalizada pela família da vítima no início do mês de abril, após a criança apresentar comportamento atípico e relatar violências sofridas.

Detalhes das agressões e investigação policial

Segundo o delegado responsável pelo caso, Acácio Leite, as informações preliminares registradas no boletim de ocorrência indicam que a cuidadora, designada para acompanhar exclusivamente este estudante, teria chacoalhado o menino de forma violenta e apertado seu braço com força. Além das lesões físicas, consta no documento que a criança teria sido impedida de usar o banheiro durante o período escolar.

"A criança foi encaminhada tanto para exame de corpo de delito quanto para escuta especializada. Nós já temos as imagens e, por ora, são essas diligências que estamos realizando", afirmou o delegado, destacando a prioridade do depoimento da vítima para entender completamente os fatos ocorridos.

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Relato da mãe e gravidade do caso

Em entrevista à TV TEM, a mãe do menino, Denise Santos, descreveu o estado emocional do filho após o incidente. "Peguei o meu filho, vim para casa e fiz várias perguntas sobre o que estava acontecendo. Ele começou a me falar que a tia apertava o braço dele, que a tia não deixava ele comer. Ele começou a falar que a tia brigava com ele quando ele ia no banheiro", relatou Denise.

A mãe foi enfática ao exigir justiça: "As coisas que ela fez com meu filho, ela não pode ficar impune, porque o que ela fez foi muito grave. Ela não está apta para cuidar de criança nenhuma, quero justiça por tudo que ela fez".

Possível enquadramento como tortura e responsabilizações

O delegado Acácio Leite explicou que a investigação começou como maus-tratos, mas poderá ser reclassificada como tortura após a conclusão das apurações e oitivas. O fato de a vítima ser uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2, além de possuir deficiência intelectual e TDAH, pode agravar significativamente a situação legal do caso.

"A escuta [da criança] é a prioridade. Precisamos do depoimento para entender sobre o ponto de vista da vítima, o que aconteceu. Feito isso, nós já temos um compromisso com a escola de apresentar essa servidora, ela será chamada para prestar depoimento", detalhou o delegado, acrescentando que outros funcionários da escola poderão ser responsabilizados como coautores se tiverem conhecimento prévio das agressões.

Medidas tomadas pela escola e secretaria

De acordo com informações da Secretaria Estadual da Educação, a Unidade Regional de Ensino (URE) de Sorocaba lamentou o ocorrido e afirmou que, logo após tomar conhecimento dos fatos, acionou a empresa responsável pela cuidadora para solicitar seu afastamento imediato. A profissional já não atua mais na unidade escolar e uma nova cuidadora foi designada para acompanhar o estudante.

A URE também realizou uma reunião com os pais do aluno na segunda-feira, dia 6 de abril, com o objetivo de esclarecer os fatos e acolher adequadamente o estudante e sua família. A coordenadora e a diretora da escola teriam constatado os atos praticados pela cuidadora através das imagens das câmeras de segurança antes de transferi-la para outra unidade escolar.

Contexto do caso e histórico do aluno

O menino de 11 anos começou a frequentar a Escola Estadual "Professor Jorge Madureira", localizada no Parque das Laranjeiras, zona norte de Sorocaba, no dia 16 de março. No entanto, já na segunda semana de aulas, demonstrava resistência em ir à escola, chegando frequentemente chorando em casa.

A mãe optou por não comparecer a uma reunião convocada pela escola, informando que o filho não estava bem e que o encaminharia para atendimento terapêutico devido aos comportamentos estranhos apresentados. A denúncia formal ocorreu quando os relatos da criança se tornaram mais específicos sobre as agressões sofridas.

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