Padrasto é condenado a 21 anos por tentar matar criança ao jogá-la de prédio em Patos de Minas
Condenação de 21 anos por tentativa de homicídio de criança em MG

Padrasto recebe pena de 21 anos por tentativa de homicídio de criança em Patos de Minas

Eduardo Henrique Portilho Queiroz foi condenado a 21 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, por tentar matar uma criança ao jogá-la do quinto andar de um prédio em Patos de Minas, em maio de 2025. O julgamento ocorreu na quinta-feira, 22 de maio, no Fórum Olímpio Borges, onde o Tribunal do Júri considerou o réu culpado pelo crime de homicídio qualificado na forma tentada.

Detalhes do crime e sobrevivência milagrosa

O caso aconteceu no dia 10 de maio de 2025, gerando grande comoção popular na cidade mineira. Segundo a Polícia Militar, moradores acionaram a corporação por volta das 17h após presenciarem o momento em que o homem lançou a criança pela janela do apartamento. A Polícia Civil informou que a altura da janela até o chão era de aproximadamente 20 metros.

O menino caiu em uma área gramada entre os blocos do condomínio e, apesar da altura da queda, sobreviveu. Ele sofreu ferimentos considerados leves, como um machucado na região do queixo, sem fraturas ou lesões graves, e foi encaminhado para atendimento médico. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência relatou que a criança estava em estado de choque.

Reação da comunidade e prisão do agressor

Após o ataque, moradores do condomínio conseguiram conter o agressor até a chegada da Polícia Militar, que realizou a prisão em flagrante. Câmeras de monitoramento registraram o momento em que o suspeito, de 27 anos, tentou fugir do local, sendo interceptado por vizinhos na portaria. A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva, e o padrasto está detido no Presídio Sebastião Satiro, em Patos de Minas.

Versões contraditórias e testemunhas

O padrasto alegou para a polícia que a queda da criança foi um acidente, afirmando que estava mostrando a paisagem quando o menino se jogou. No entanto, testemunhas contradizem essa versão. Uma vizinha relatou ter visto o homem segurando a criança pelo pé e pela mão do lado de fora da janela antes de soltá-la. Outros moradores ouviram uma discussão entre o padrasto e o enteado segundos antes da queda.

O delegado de Homicídios, Luís Mauro Sampaio, destacou que as provas e depoimentos tornam a alegação do suspeito falaciosa. A mãe da criança também contribuiu com informações, relatando que o namorado costumava fazer brincadeiras de mau gosto com o filho e que, no dia do crime, havia consumido bebida alcoólica e maconha.

Processo judicial e recurso da defesa

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou a condenação, mas, por envolver menor de idade, o processo tramita em segredo de justiça, impedindo o acesso público aos autos. O advogado de defesa, José Márcio dos Santos, afirmou que respeita a decisão dos jurados, mas vai recorrer, buscando a nulidade do júri popular ou uma revisão da pena, que considera desproporcional para um crime de tentativa de homicídio.

Contexto do caso e correções

Inicialmente, a Polícia Civil informou que toda a família havia se mudado para o condomínio, mas posteriormente corrigiu que apenas o suspeito moraria no local. O crime ocorreu no Bairro Ipanema, onde o padrasto se mudara horas antes do incidente, com a ajuda da namorada e da criança.

Este caso chocou a comunidade local e levantou discussões sobre violência doméstica e a proteção de menores, destacando a importância do sistema de justiça em crimes graves contra crianças.