O Tribunal do Júri de Ipatinga condenou Nailson Matos da Silva a 52 anos de prisão pelo assassinato de sua companheira, Meilling Marili da Silva, de 37 anos, e pela tentativa de homicídio contra a filha dela, de 15 anos. O julgamento ocorreu nesta segunda-feira (4) no plenário da Câmara Municipal, devido à reforma no salão do Tribunal do Júri.
Reconhecimento das qualificadoras
Os jurados acataram integralmente a acusação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), reconhecendo todas as qualificadoras do crime. O Conselho de Sentença considerou que o homicídio foi cometido por motivo torpe, com crueldade e de forma que dificultou a defesa das vítimas. Além disso, foi caracterizado como feminicídio, uma vez que o assassinato ocorreu em contexto de violência doméstica. No caso da adolescente, os jurados entenderam que ela foi atacada para que o homem conseguisse matar a mãe.
Pena e prisão
Com a decisão, Nailson foi condenado pelos dois crimes, recebendo a pena total definida pelo júri. Ele já estava preso desde o dia do crime, quando foi detido em flagrante pela Polícia Militar. A pena fixada ficou próxima da expectativa da promotoria. Antes do julgamento, o promotor de Justiça Jonas Junio Monteiro afirmou: “Esperamos que a sociedade reconheça o trabalho da promotoria pela condenação máxima do autor. Trata-se de um ato muito grave e covarde, e a expectativa é de uma pena elevada, acima de 60 anos”. Até a última atualização desta reportagem, não havia posicionamento da defesa sobre a condenação.
Relembre o caso
O crime aconteceu na manhã de 18 de agosto de 2024, na casa onde a família morava, no bairro Vila Celeste, em Ipatinga. Segundo a Polícia Militar, os militares foram acionados após relatos de uma briga familiar no imóvel, onde mãe e filha eram as vítimas. De acordo com o Ministério Público, o relacionamento era marcado por ciúmes, ameaças e agressões. A mulher já havia decidido terminar e se preparava para se mudar com os filhos.
Detalhes do ataque
Na manhã do crime, enquanto Meilling dormia, o homem pegou uma faca e foi até o quarto. Segundo a denúncia, ele a acordou e perguntou: “É isso mesmo que você quer?”. Ao confirmar que queria se separar, ela foi atacada. Conforme o MPMG, o homem desferiu cerca de 60 golpes de faca na vítima. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Ao ouvir os gritos, a filha correu para ajudar. Ao tentar impedir o crime, também foi esfaqueada, com ferimentos na face e nos braços. Mesmo ferida, a adolescente conseguiu fugir e pedir ajuda. Ela foi socorrida e levada para uma unidade de saúde, onde ficou internada por cerca de uma semana.
Prisão do acusado
Após o ataque, o homem fugiu levando a faca usada no crime. Ele foi localizado ainda no bairro, com marcas de sangue e escoriações pelo corpo. Segundo a Polícia Militar, ele confessou ter matado a companheira após ser encontrado pelos policiais. Ele foi levado para atendimento médico e, em seguida, preso em flagrante.



