Condenado a 48 anos por matar e queimar mãe e filha em SP enfrenta júri após três anos
Condenado a 48 anos por matar mãe e filha em SP enfrenta júri

Condenado a 48 anos por matar e queimar mãe e filha em SP enfrenta júri após três anos

Após três longos anos de espera por uma data de julgamento, somados às horas de angústia até a leitura da sentença, a família de Amanda Lima Madeira, de 15 anos, e de sua filha, Maria Alice, de apenas um ano, finalmente viu a Justiça ser feita. O júri que condenou Marcos Moura Elias a 48 anos de prisão pelos crimes ocorreu nesta quinta-feira (26), em um processo que emocionou a todos os presentes.

Alívio e esperança após a sentença

Juliana Madeira, mãe de Amanda e avó de Maria Alice, descreveu o momento da condenação como uma mistura de alívio e esperança. "Para mim, foi bem tenso. Foram horas de espera até que todas as testemunhas falassem, mas, no final, foi uma sensação de alívio", afirmou ela, que estava acompanhada de outros familiares durante o julgamento.

Apesar da condenação, Juliana ressaltou que a decisão judicial não trará sua filha e neta de volta. "Pode fazer o que for, não vai trazê-las de volta. Pelo que sei, infelizmente, de repente ele nem fica os 48 anos na cadeia, mas pelo menos que ele reflita sobre o que ele fez, né? Que é uma coisa muito horrenda, isso que aconteceu com a gente", completou.

Crime brutal que chocou a região

O crime, que chocou a população de Laranjal Paulista, no interior de São Paulo, ocorreu em janeiro de 2023. Amanda Lima Madeira e sua filha Maria Alice desapareceram, e uma semana depois, seus corpos foram encontrados queimados em uma área rural, a cerca de quatro quilômetros do distrito de Maristela.

As investigações revelaram que o ex-companheiro de Amanda, que também era menor de idade na época, confessou o crime e afirmou ter contado com a ajuda do irmão, Marcos Moura Elias, então com 30 anos. Segundo os depoimentos, os dois foram até a casa da adolescente e a convidaram para um passeio. Mãe e filha foram levadas para uma área afastada, onde Amanda teria sido dopada antes de os suspeitos jogarem combustível sobre as vítimas e atearam fogo.

Família busca seguir em frente

Para Juliana Madeira, a dor provocada pelo crime ainda é constante, mas ela enfatiza a necessidade de seguir em frente, principalmente pelo bem dos outros filhos. A adolescente tinha uma irmã gêmea que, segundo a mãe, foi uma das mais afetadas pela tragédia.

"Tenho mais três crianças comigo. A gêmea de Amanda também foi muito afetada. Precisamos continuar a vida, cuidar da saúde mental e seguir em frente, mesmo com a dor da perda", disse Juliana, demonstrando uma força admirável diante da adversidade.

Alerta sobre violência contra a mulher

O caso também acendeu um alerta sobre a violência contra a mulher e a necessidade de prevenção e denúncia. Adriano Alves Lima Madeira, pai e avô das vítimas, fez um apelo contundente à comunidade.

"Tomar cuidado. E a polícia está aí. Relatar agressão, essas coisas, tem que relatar. Não pode deixar a pessoa se safar. Tem muitas pessoas que, às vezes, apanham e, por afetividade, a pessoa ainda continua: ‘vou dar uma segunda chance’. Não, não tem segunda chance. Na segunda chance, pode ser que seja a última", alertou ele, destacando a importância de não subestimar situações de risco.

Desfecho judicial

Marcos Moura Elias permaneceu preso por ser maior de idade, enquanto o adolescente envolvido foi julgado separadamente pela Vara da Infância e da Juventude. A condenação de Elias a 48 anos de prisão marca um capítulo importante na busca por justiça, embora a família enfatize que nada poderá preencher o vazio deixado pela perda de Amanda e Maria Alice.

O julgamento serviu como um lembrete sombrio das consequências da violência doméstica e da importância de sistemas de apoio e denúncia para proteger vítimas em situações vulneráveis.