Jovem autista é vítima de violência sexual após aceitar carona para hospital no Rio
Autista é vítima de violência sexual após carona para hospital no Rio

Jovem autista sofre violência sexual após aceitar carona para hospital na Barra da Tijuca

Uma mulher de 28 anos, diagnosticada com autismo nível 2 de suporte, relatou ter sido vítima de violência sexual na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, após aceitar carona de um homem enquanto enfrentava uma crise emocional há aproximadamente duas semanas. O suspeito foi preso e a Polícia Civil investiga o caso com profundidade.

Fuga durante crise e busca por atendimento médico

A vítima, que pediu para não ser identificada, seguia em direção ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, local onde costuma receber atendimento especializado durante suas crises. "Eu estava muito mal, estava em crise. E aí, eu estava completamente desorientada e eu fugi de casa para ir, porque no Hospital Lourenço Jorge eles normalmente me acolhem", contou a jovem em depoimento emocionado.

Naquela noite fatídica, ela havia saído de casa sozinha e permaneceu por mais de uma hora dentro de um ônibus, mas seu estado emocional piorou significativamente. "Comecei a ficar mais em crise ainda, mais angustiada, mais nervosa. Pensei na minha cabeça que eu achava melhor ir a pé", explicou sobre a decisão de continuar o trajeto caminhando.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Encontro no posto de combustíveis e oferta enganosa

A jovem relatou que o homem se aproximou dela em um posto de combustíveis na movimentada Avenida das Américas. Ela destacou que usava um cordão e um crachá que a identificavam claramente como pessoa autista e contou ao suspeito que estava em crise e tentava chegar ao hospital para receber atendimento.

"Eu falei que era autista que estava tendo uma crise e estava tentando chegar ao hospital porque eu estava me sentindo muito mal, e ele pareceu muito compreensivo. Ele falou que entendia um pouco de autismo e que era muito ruim estar em crise, se ele poderia me oferecer uma carona para me levar ao hospital. Eu só aceitei a carona", descreveu a vítima sobre o momento do encontro.

Trajeto desviado e violência na praia

Imagens obtidas pela investigação mostram a jovem no posto de combustíveis e, em seguida, o carro do suspeito passando pela ponte nova da Barra e pela Avenida Ayrton Senna. Segundo o relato detalhado, em vez de levá-la ao hospital como prometido, o homem dirigiu até a Praia da Reserva, local onde ocorreu o abuso sexual.

"Aí, ele ficou dirigindo um tempo, parou o carro e eu falei que eu não queria descer, mas ele falou: 'vamos, você vai se sentir melhor'. Ele pegou minha mão, e a gente foi para praia. E aí, ele me machucou lá na areia da praia", narrou a mulher sobre o momento traumático.

Chegada ao hospital e busca por ajuda

Após o ocorrido, o homem deixou a jovem no hospital e fugiu rapidamente do local. "Assim que eu cheguei lá, eu saí correndo e falei para a primeira pessoa que eu vi: ‘me ajuda, me ajuda, me ajuda que eu fui estuprada’. Aí, eles me levaram para [a Maternidade] Leila Diniz e começaram os trâmites para cuidar de vítimas de violência sexual", afirmou a mulher sobre os primeiros momentos após o trauma.

O pai da jovem soube do ocorrido por telefone e expressou sua dor. "Para mim foi uma dor muito grande saber o que tinha acontecido. Ele sabia que minha filha era autista que estava em surto e foi abusada", disse o pai emocionado.

Investigação policial e prisão do suspeito

Após receber alta médica, a jovem procurou a polícia para registrar a ocorrência. O caso foi formalizado na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, onde a vítima forneceu descrições detalhadas do agressor e do trajeto percorrido.

Essas informações permitiram aos investigadores identificar o veículo utilizado e chegar ao suspeito através de imagens de câmeras de segurança que capturaram todo o trajeto. O exame de corpo de delito realizado posteriormente confirmou o abuso sexual sofrido pela jovem.

"De posse das imagens, foi possível identificar tanto a placa do veículo quanto seu condutor, além de suas características físicas, que prontamente reconheceu em sede policial", explicou a delegada Viviane Costa, responsável pelas investigações.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Com base nas provas reunidas durante a apuração, Gabriel Lessa Messa foi preso na última quarta-feira (11). Nas redes sociais, o suspeito se identifica como corretor de imóveis de alto padrão atuante na região da Barra da Tijuca.

A vítima finalizou seu relato com uma reflexão sobre o trauma: "Eu acho que vai ficar uma coisa que eu vou carregar para sempre, sabe? É muito difícil", demonstrando o impacto profundo da violência sofrida.