Polícia Civil de Rurópolis alerta sobre aumento de casos de stalking após prisões
A Polícia Civil de Rurópolis, no sudoeste do Pará, emitiu um alerta público sobre o crime de stalking, caracterizado como perseguição reiterada, após realizar duas prisões de homens suspeitos durante o mês de março. A operação denominada "Visitas de Proteção" resultou na prisão preventiva de um dos indivíduos nesta semana, enquanto o outro foi detido no início do mês.
Crescimento significativo de denúncias
Segundo o delegado Ariosnaldo da Silva Vital Filho, houve um aumento expressivo no número de denúncias registradas na delegacia local durante os anos de 2025 e 2026. O crime afeta principalmente mulheres, alterando drasticamente a rotina das vítimas e representando uma grave ameaça à sua integridade física e psicológica.
Detalhes dos casos recentes
No primeiro caso, o suspeito foi denunciado no final de 2025 por uma mulher que relatou que seu ex-companheiro, após não aceitar o término do relacionamento, começou a ameaçá-la. Ao ser bloqueado em aplicativos e redes sociais, o homem criou perfis falsos para manter contato e monitorar o ciclo de amigos da vítima.
O segundo caso ocorreu no início de março, quando uma mulher denunciou um vizinho por invadir sua residência. O indivíduo também a monitorava nas ruas e no ambiente de trabalho, sendo posteriormente preso e colocado à disposição da Justiça.
Casos anteriores e métodos utilizados
O delegado Ariosnaldo Vital Filho relembrou que os primeiros registros de stalking na região datam de 2024. Em um dos episódios, o autor passou a monitorar a vítima em seu local de trabalho, um posto de combustível, frequentando o estabelecimento nos mesmos dias e horários em que a denunciante estava presente, com a intenção de estabelecer contato e fazer propostas amorosas.
Em outro caso de 2024, o investigado, após decisão judicial que determinava seu afastamento da ex-companheira, passou a utilizar valores irrisórios, como R$ 0,01, para enviar mensagens ofensivas através do Pix, após ter sido bloqueado em aplicativos e redes sociais. Nos dois casos de 2024, os suspeitos foram indiciados, e um deles acabou preso.
O que caracteriza o crime de stalking
A Lei 14.132/2021 tipifica o stalking como crime de perseguição reiterada que ameace a integridade física ou psicológica, restrinja a capacidade de locomoção ou invada a privacidade da vítima. Comportamentos comuns incluem:
- Mensagens constantes, ligações obscenas ou insistentes
- Monitoramento em redes sociais e criação de perfis falsos
- Envios de "presentes" indesejados
- Aparecimento inesperado em locais frequentados pela vítima
- Uso de transferências Pix com valores simbólicos para enviar mensagens após bloqueio
A pena para esse crime varia de 6 meses a 2 anos de reclusão, podendo ser aumentada se a vítima for mulher por razões de gênero, criança, adolescente ou idoso.
Orientações da Polícia Civil para as vítimas
O delegado Ariosnaldo Vital Filho enfatiza que a principal atitude diante de um caso de stalking é não se calar. Romper o silêncio é fundamental para quebrar o ciclo de perseguição. As vítimas são orientadas a:
- Juntar provas: Capturar prints de mensagens, áudios, e-mails, vídeos, ligações, identificar testemunhas e, se possível, obter atas notariais em cartório para garantir a veracidade das evidências.
- Bloquear o agressor: Cortar qualquer forma de comunicação direta com o perseguidor.
- Registrar boletim de ocorrência: Dirigir-se a uma Delegacia de Polícia, preferencialmente à Delegacia da Mulher (DEAM), ou à delegacia mais próxima. O registro também pode ser feito online.
- Solicitar medidas protetivas: Requerer medidas cautelares, inclusive no âmbito da Lei Maria da Penha, para afastar o agressor.
Em situações de perigo iminente, a vítima deve procurar imediatamente o plantão da Polícia Militar. Em Santarém, o chamado de socorro pode ser realizado através do número 190 (NIOP).



