Atleta de SC sofre homofobia de narradores em Jogos Universitários no ES
Atleta de SC sofre homofobia em transmissão universitária

A Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) anunciou a exclusão imediata de um narrador após comentários homofóbicos e misóginos durante a transmissão de uma partida dos Jogos Universitários Brasileiros de Praia (JUBs Praia 2026), realizados em Guarapari, no Espírito Santo. O alvo foi a atleta Carina Rocha, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Em nota oficial, a CBDU afirmou que não tolera manifestações discriminatórias e que o caso está sendo investigado internamente.

O incidente ocorreu na terça-feira, 5 de novembro. Em um vídeo da transmissão, antes do início da partida, é possível ouvir comentários como “Oxe, pode homem também?”, “Olha o camisa 10” e “Ah, mas pelada é mulher”, seguidos de risadas. A identidade dos narradores ainda não foi divulgada. A atleta compartilhou o vídeo em suas redes sociais e criticou duramente a postura da equipe de transmissão, classificando as falas como machistas e homofóbicas.

Reação da atleta e das instituições

Em seu desabafo, Carina Rocha afirmou que os comentários ultrapassaram todos os limites. “O que aconteceu no segundo dia passou de QUAISQUER limites. Comentários com teor machista e homofóbico não são 'brincadeira', não são 'opinião' e muito menos fazem parte de uma boa narração. Isso é desrespeito. É inaceitável. É crime”, escreveu. A Udesc Esportes também se manifestou, repudiando o ocorrido e informando que já adotou as providências cabíveis. A universidade classificou o episódio como discriminação de gênero e cobrou apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Notas de repúdio e medidas

A Associação Atlética do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (Cefid), da Udesc, divulgou nota de repúdio, enfatizando que comentários machistas e homofóbicos não representam os valores do esporte e da comunidade universitária. “Respeito não é opcional. É essencial”, diz trecho da nota. A CBDU, por sua vez, informou que determinou a exclusão imediata do investigado e que a empresa responsável pela transmissão iniciou procedimentos internos de apuração. O processo está sendo acompanhado pela Comissão Disciplinar e pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva Universitário (STJDU), que conduzem a análise com rigor e transparência.

A Udesc reforçou seu compromisso com a inclusão e o respeito no ambiente esportivo, afirmando que não há espaço para condutas que atentem contra a dignidade humana. A instituição também destacou que a alegação de impossibilidade de identificação não é suficiente diante da gravidade do caso e que é essencial garantir transparência e efetividade nas medidas.

O caso gerou ampla repercussão e mobilizou entidades esportivas e acadêmicas em defesa do respeito e da diversidade no esporte universitário brasileiro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar