Alunas de escola pública em Dumont criam app disfarçado de delivery para denúncias de violência doméstica
App disfarçado de delivery ajuda vítimas de violência doméstica

Iniciativa de alunas de escola pública em Dumont promete revolucionar denúncias de violência contra mulheres

Uma iniciativa inovadora desenvolvida por alunas da Escola Estadual Nestor Gomes de Araújo, em Dumont, na região de Ribeirão Preto, está chamando atenção por criar uma ferramenta digital que pode salvar vidas. O projeto consiste em um aplicativo disfarçado de sistema de delivery de comida, projetado especificamente para ajudar mulheres vítimas de violência doméstica a denunciarem agressões de forma segura e discreta.

Inspiração nas redes sociais e necessidade de discrição

A ideia surgiu durante uma aula na escola pública, quando as estudantes observaram uma prática que se tornou viral nas redes sociais: mulheres pedindo ajuda através de pizzarias. "Em plataforma de rede social, a gente via as mulheres pedindo ajuda para pizzarias, que é o que ficou famoso até no TikTok. E aí a gente decidiu fazer isso de uma forma parecida", explica Giovana Lemes Boaventura, uma das responsáveis pelo projeto.

A estudante destaca a importância da discrição: "Só que se ele [o agressor] controla ela obviamente ele vai pegar o celular, vai controlar tudo que ela tem acesso. Então a gente decidiu fazer isso de uma forma que ele não descobrisse realmente qual era o objetivo".

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Desenvolvimento em resposta a problema nacional urgente

O projeto foi elaborado como resposta a um desafio escolar que pedia a criação de um site ou aplicativo com inteligência artificial para beneficiar a comunidade. As alunas escolheram enfrentar um dos problemas mais graves do Brasil, onde os números são alarmantes: segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é morta a cada seis horas no país, e 66% dos feminicídios acontecem dentro de casa.

Em apenas um mês e meio, com apoio de professores, as estudantes desenvolveram tanto um site quanto um aplicativo funcional. A plataforma permite que vítimas de violência solicitem ajuda de maneira discreta, simulando pedidos de lanches ou pizzas para entrega em domicílio.

Funcionamento do sistema e integração com autoridades

O mecanismo é engenhoso: ao selecionar um "produto" no aplicativo de delivery, a reclamação é automaticamente direcionada para o número de emergência da Polícia Militar. A criação já foi inscrita em uma olimpíada de tecnologia para estudantes de todas as idades de todo o Brasil, demonstrando o potencial inovador do projeto.

Marcos Antonio Carlos de Oliveira, diretor da escola, expressou orgulho: "Dia após dia, um trabalho extremamente árduo de toda a equipe para poder criar condições desses alunos mostrarem as suas potencialidades. Cada qual no seu tempo, no seu ritmo e na sua capacidade, mas todos eles são capazes. É muito gratificante".

Próximos passos e expansão do projeto

As alunas, que cursam o terceiro ano do ensino médio, planejam melhorias significativas na plataforma. Luana Pereira da Rocha, integrante do projeto, detalha: "Fazer um código para ir diretamente para a delegacia, para saber que é realmente uma mulher que está ligando, se for uma situação muito de emergência, também ter acesso à saúde, caso aconteça algo grave".

O objetivo final é disponibilizar o aplicativo para download gratuito, permitindo que qualquer mulher em situação de risco possa acessar a ferramenta de proteção. O projeto ainda necessita de integração com sistemas policiais para funcionamento pleno, mas representa um avanço promissor no combate à violência doméstica através da tecnologia desenvolvida por jovens estudantes.

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