Capitã PM faz apelo urgente após caso de violência doméstica em Monte Alegre-PA
Apelo de capitã PM após violência doméstica em Monte Alegre

Capitã PM faz apelo urgente após caso grave de violência doméstica em Monte Alegre

Nesta segunda-feira, 2 de setembro, a Capitã PM Wirllene Dutra, subcomandante do 18º Batalhão de Polícia Militar, conhecido como Batalhão Gurupatuba em Monte Alegre, no oeste do Pará, fez um apelo emocionado e urgente às mulheres vítimas de violência doméstica. A oficial pediu que as vítimas não coloquem suas vidas em risco ao insistirem em relacionamentos abusivos, destacando a gravidade e a recorrência desse tipo de crime.

Caso que motivou o alerta

O apelo da capitã ocorreu após ela se deparar com um caso particularmente grave de violência doméstica. Na madrugada de domingo, no bairro Planalto de Monte Alegre, uma jovem de apenas 19 anos foi brutalmente espancada pelo companheiro na frente do filho de três anos de idade. A vítima apresentava o rosto desfigurado e hematomas por todo o corpo, mas, mesmo nesse estado, demonstrou relutância em denunciar o agressor.

Durante a agressão, a jovem conseguiu se desvencilhar do companheiro e fugiu para a rua, onde foi socorrida por populares que imediatamente acionaram a Polícia Militar. A guarnição chegou ao local e encontrou a vítima bastante machucada, mas o agressor já havia fugido. A jovem foi rapidamente encaminhada ao Hospital Municipal de Monte Alegre para receber atendimento médico.

Busca e resistência da vítima

Enquanto isso, a polícia iniciou buscas pelo agressor, conseguindo localizá-lo em pouco tempo. Ao retornar ao hospital, no entanto, a guarnição foi informada de que a vítima havia fugido ainda com o soro de soro pendurado. Poucos minutos depois, a polícia a localizou novamente, e para surpresa dos policiais, a jovem afirmou que não iria denunciar o companheiro porque não queria que ele fosse preso.

Diante dessa situação, os policiais explicaram à vítima que, em casos de violência física como o ocorrido, a ação é incondicionada. Isso significa que a denúncia e a prisão do agressor independem da vontade da mulher, seguindo os protocolos estabelecidos pela Lei Maria da Penha. Tanto a vítima quanto o agressor foram conduzidos à delegacia, onde o homem foi enquadrado na legislação específica e permaneceu preso.

Apelo da subcomandante

A capitã Wirllene Dutra, também subcomandante do Batalhão Gurupatuba, utilizou o caso para fazer um apelo público. "Fica aqui também um apelo para que as mulheres que estejam passando por esse tipo de violência, que parem pra pensar na sua vida, na sua família e nos seus filhos, porque essa situação não foi a primeira vez que ocorreu", destacou a oficial.

Ela revelou que a vítima relatou ter sido agredida em outros momentos, reforçando a ideia de que a violência doméstica tende a ser recorrente e pode se intensificar com o tempo. "Então vale aqui destacar que uma vez que a mulher foi agredida isso vai se repetir e pode até se potencializar, podendo chegar até um feminicídio, e isso a gente não quer que ocorra", alertou Wirllene.

Importância da ação precoce

A subcomandante ressaltou ainda a importância de as mulheres darem um basta aos primeiros sinais de violência. "É importante a mulher ao perceber os primeiros sinais de violência doméstica já dê um basta nesse relacionamento abusivo para ter sua integridade física e a sua vida preservada", aconselhou. Ela enfatizou que a prevenção e a denúncia imediata são cruciais para evitar tragédias maiores.

Estatísticas alarmantes em Monte Alegre

De acordo com dados levantados pelo próprio Batalhão Gurupatuba, em 2025 já foram registrados 249 casos de violência doméstica na área de atuação da corporação, que abrange os municípios de Monte Alegre e Prainha. Isso significa que, em média, o 18º Batalhão de Polícia Militar realiza um atendimento relacionado à violência doméstica a cada 35 horas.

No entanto, os números reais podem ser significativamente maiores. Isso porque a contagem oficial não inclui os casos atendidos por outros órgãos, como a Polícia Civil, o Ministério Público e a Delegacia da Mulher. Além disso, muitas vítimas ainda não registram a violência sofrida em nenhuma instituição, seja por medo, vergonha ou dependência emocional do agressor.

A situação em Monte Alegre reflete um problema nacional, onde a violência doméstica continua sendo um desafio constante para as autoridades e para a sociedade como um todo. O apelo da capitã Wirllene Dutra serve como um lembrete urgente da necessidade de conscientização, apoio às vítimas e aplicação rigorosa das leis de proteção.