Violência psicológica online contra mulheres cresce 20,6% e atinge mais de 3 mil vítimas em 2025
Violência psicológica online contra mulheres cresce 20,6% em 2025

Os casos de violência psicológica contra mulheres na internet registraram um aumento expressivo e preocupante em 2025, alcançando mais de 3 mil vítimas apenas em ambientes virtuais. De acordo com dados exclusivos do Instituto de Segurança Pública (ISP), obtidos pelo g1 neste domingo (8), data que marca o Dia Internacional das Mulheres, a violência psicológica online atingiu 3.417 mulheres no último ano, representando um crescimento de 20,6% em relação a 2024.

Panorama alarmante da violência contra a mulher

Os números fazem parte da segunda edição do Panorama da Violência contra a Mulher, que revela um cenário ainda mais amplo quando considerados todos os ambientes. No total, 59.743 mulheres sofreram violência psicológica em 2025, incluindo tanto espaços virtuais quanto físicos, o que equivale a uma média de 163 vítimas por dia. Esse montante representa um aumento de 6,3% em comparação com o ano anterior e constitui o maior número já registrado na série histórica, que teve início em 2015.

Feminicídios e violência física apresentam redução

Em contraste com o crescimento da violência psicológica, o estado registrou uma queda nos casos de feminicídio e nas tentativas desse crime em 2025. As tentativas diminuíram 19,6%, totalizando 307 vítimas, enquanto os feminicídios somaram 104 mortes, uma redução de 2,8%. No entanto, a violência física ainda afetou 43.309 mulheres, além de serem registrados 161 homicídios dolosos e 373 tentativas de homicídio envolvendo mulheres.

Crimes sexuais: assédio cai, importunação aumenta

A análise dos crimes sexuais mostra um comportamento misto. O assédio sexual apresentou uma queda de 10,2% em relação a 2024, enquanto a importunação sexual registrou um aumento de 11,6%, com 2.723 casos. No total, 8.681 mulheres foram vítimas de violência sexual no estado em 2025, o que corresponde a uma média de 23 vítimas por dia.

Chamado à ação e denúncia

A diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz, enfatizou a importância dos dados para orientar políticas públicas. “Cada dado apresentado no Panorama da Violência contra a Mulher representa uma história que vai além das estatísticas. O Panorama é uma ferramenta essencial para orientar a atuação do Governo do Estado com base em evidências”, afirmou Ortiz.

Ela completou: “Por isso, é fundamental que não apenas as vítimas, mas toda a sociedade reconheça esses padrões de violência e denuncie. Só assim conseguiremos mudar essa realidade”. A declaração reforça a necessidade de conscientização e ação coletiva para combater a violência contra as mulheres, especialmente no ambiente digital, onde os casos têm crescido de forma significativa.

Os dados destacam a urgência em fortalecer mecanismos de proteção e apoio às vítimas, bem como em promover campanhas educativas que incentivem a denúncia e o enfrentamento desse tipo de violência, que continua a ser um grave problema social no Brasil.