Responsável por casa de repouso é preso por maus-tratos a idosas em Praia Grande
Preso por maus-tratos em casa de repouso de Praia Grande

Responsável por casa de repouso é preso por maus-tratos a idosas em Praia Grande

Um homem foi preso em flagrante nesta quinta-feira (28) por manter idosas em situação de abandono e maus-tratos em uma casa de repouso localizada em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A ação policial ocorreu após denúncias recebidas pelo Conselho Municipal do Idoso (CMI), que descreveu o local como um "depósito de idosos".

Condições precárias e estado grave das vítimas

Segundo a Polícia Civil, três mulheres, com idades de 79, 80 e 82 anos, foram encontradas em estado crítico de saúde. As vítimas apresentavam desnutrição severa, apatia extrema e sinais de negligência médica. A idosa de 82 anos não resistiu e faleceu momentos após ser retirada do imóvel, localizado na Rua Doutor Roberto Shoji, no bairro Boqueirão.

O delegado Pedro Henrique Alonso, do 2º DP de Praia Grande, confirmou a morte à TV Tribuna, afiliada da Globo. Ele destacou que a casa não possuía estrutura adequada para atender pessoas com necessidades severas de saúde, violando diretrizes básicas de cuidado.

Inspeção revela ambiente insalubre e falta de cuidados

Durante a vistoria, os agentes constataram condições alarmantes no local, que abrigava cerca de 20 pessoas. Entre os problemas identificados estão:

  • Forte odor de urina e falta de higiene
  • Infiltrações e bolor nas paredes
  • Calor intenso sem ventilação adequada
  • Ausência de cuidados mínimos compatíveis com as condições clínicas das residentes

As três idosas em questão chamaram a atenção dos policiais pelo estado deplorável em que foram encontradas. Todas tinham recomendações médicas para alimentação por sondas, mas não recebiam o tratamento necessário. Um exame de 2022 revelou que a mulher de 79 anos pesava apenas 27 kg, evidenciando a gravidade da desnutrição.

Responsável alega desconhecimento e falta de ação

José Alves Sampaio Filho, de 62 anos, responsável pela casa de repouso, foi quem recebeu os agentes. Ele afirmou não ter conhecimento do estado das idosas e admitiu não ter adotado providências eficazes para remediar a situação. Segundo seu relato, as famílias foram comunicadas, mas as mulheres permaneceram no local porque ninguém apareceu para buscá-las.

No boletim de ocorrência, a autoridade policial ressaltou que "a casa de repouso, por intermédio de seu representante, deixou de providenciar o encaminhamento adequado ou permitiu a permanência das idosas no local em estado praticamente vegetativo e de acentuada letargia".

O prontuário médico da idosa que faleceu, de 82 anos, indicava impossibilidade de permanência na instituição, reforçando a negligência. Até a última atualização desta reportagem, o g1 não conseguiu localizar a defesa do homem preso. A Polícia Civil optou por não divulgar a foto do acusado.

Este caso chocante expõe falhas graves no sistema de cuidado a idosos e levanta questões urgentes sobre a fiscalização de instituições desse tipo em Praia Grande e em todo o país.