Campanha escolar 'Maio Laranja' em Campina Verde possibilita denúncia de abuso sexual por menina de 10 anos
Uma menina de apenas 10 anos conseguiu denunciar os abusos sexuais cometidos pelo próprio padrasto após participar de uma campanha educativa conhecida como "Maio Laranja", promovida pela escola municipal em Campina Verde, localizada no Triângulo Mineiro de Minas Gerais. Entre as diversas ações pedagógicas da iniciativa estava o exercício denominado "semáforo do toque", que ensina de maneira lúdica e clara às crianças onde adultos podem ou não tocá-las, estabelecendo limites corporais essenciais.
Como a denúncia ocorreu através da conscientização escolar
A campanha "Maio Laranja" foi realizada em parceria estratégica com a Polícia Militar de Minas Gerais, com o objetivo principal de conscientizar e prevenir a violência sexual contra crianças e adolescentes. Conforme relatou o delegado responsável pelo caso, Fúlvio Sampaio, durante as atividades educativas da campanha, a menina confidenciou inicialmente a duas colegas de classe o que estava acontecendo dentro de sua própria residência.
As amigas, após compreenderem através das orientações recebidas que aquela situação não era normal nem adequada, levaram imediatamente o relato preocupante às professoras da instituição de ensino. As educadoras, então, chamaram a vítima para uma conversa particular e reservada, onde a criança, visivelmente emocionada e em lágrimas, contou que o padrasto de 38 anos passava as mãos em suas partes íntimas de maneira abusiva.
Ação imediata das autoridades e consequências judiciais
A escola acionou prontamente o Conselho Tutelar local, que por sua vez comunicou o Ministério Público e encaminhou formalmente o caso à Polícia Civil para investigação criminal detalhada. Atualmente, a menina vive com o pai biológico por determinação judicial expressa e recebe acompanhamento psicosspecializado necessário. O padrasto foi preso na manhã de quinta-feira, dia 5, sob suspeita de estupro de vulnerável, sendo conduzido ao Presídio de Iturama.
Segundo informações das autoridades, a mãe da criança não tinha conhecimento prévio dos fatos ocorridos dentro do lar familiar. O delegado Fúlvio Sampaio destacou que muitas denúncias de abuso sexual infantil surgem justamente após orientações específicas nas escolas, quando as crianças passam a reconhecer claramente a situação de risco e se sentem mais seguras e empoderadas para falar sobre o assunto delicado.
Metodologia do "semáforo do toque" e sua eficácia pedagógica
A ação educativa do "semáforo do toque" utiliza de maneira inteligente as cores universais do semáforo de trânsito para ensinar limites corporais às crianças: verde para toques permitidos e saudáveis, amarelo para situações que exigem atenção e cuidado, e vermelho para toques absolutamente proibidos. Esta metodologia, aplicada sistematicamente pela Polícia Militar junto à comunidade escolar, facilita significativamente a compreensão infantil sobre o respeito ao próprio corpo e a noção de consentimento.
"É bastante comum observarmos esse fenômeno. Essas crianças são inocentes e normalmente não conversam sobre esses temas em casa. Então, quando abordamos o assunto pedagogicamente, com recursos visuais como o semáforo do toque, é que elas começam a se despertar para a realidade e a perceber que certos comportamentos são inadequados", explicou detalhadamente o delegado Sampaio.
Linha do tempo dos abusos e mudanças comportamentais da vítima
De acordo com as investigações, os crimes aconteciam dentro da residência onde a vítima morava com a mãe e o padrasto. Os abusos teriam começado no final do ano de 2024 e se estenderam ao longo de 2025, criando um padrão de violência continuada. Interessantemente, antes mesmo da campanha "Maio Laranja" em maio de 2025, a menina já havia procurado uma professora para uma conversa reservada, mas diante da gravidade extrema do relato, a educadora interrompeu prudentemente a narrativa e encaminhou a aluna à supervisão escolar para adoção de providências institucionais apropriadas.
As professoras que acompanharam a criança durante todo o ano letivo de 2025 relataram consistentemente que ela apresentava perfil tímido, demonstrava dificuldades evidentes de aprendizagem e mostrava sinais claros de carência afetiva. Após passar a morar com o pai por determinação judicial, os educadores perceberam mudanças comportamentais significativas e positivas, com a menina se tornando progressivamente mais aberta, comunicativa e participativa nas atividades escolares.
Evidências coletadas e andamento processual do caso
A Justiça autorizou integralmente o pedido de prisão preventiva formulado pela Polícia Civil. Durante as investigações minuciosas, foram reunidas diversas provas materiais, depoimentos consistentes da vítima e de testemunhas, além de laudo pericial compatível com violência sexual. O suspeito nega veementemente todas as acusações, mas as autoridades encontraram evidências digitais relevantes.
"O padrasto nega as acusações, porém há evidências concretas no celular dele de tentativas de apagar registros comprometedores, bem como indícios de fetiche com vídeos de conteúdo semelhante. Além disso, a oitiva detalhada da vítima, do pai e dos professores evidencia a ocorrência dos fatos de forma harmônica e coerente", afirmou com convicção o delegado responsável. O aparelho celular do investigado foi apreendido e será submetido à perícia técnica especializada.
A Polícia Civil informou oficialmente que a investigação criminal ainda não foi totalmente concluída, continuando em andamento. Paralelamente, o Ministério Público também instaurou procedimento investigativo próprio, enquanto o Conselho Tutelar local começou a acompanhar de perto a situação da criança, garantindo seus direitos fundamentais. A menina permanece residindo com o pai biológico sob determinação judicial protetiva.



