Pedidos de medidas protetivas mais que triplicam em Sumaré, revela aumento alarmante de violência contra mulheres
Medidas protetivas triplicam em Sumaré com aumento de violência

Pedidos de medidas protetivas mais que triplicam em Sumaré, revelando crise na violência contra mulheres

O número de pedidos de medidas protetivas mais que triplicou em Sumaré, segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Em 2024, foram registrados 133 pedidos, enquanto em 2025, esse número saltou para 470 solicitações, representando um aumento impressionante de 253,4%. O levantamento, obtido via Lei de Acesso à Informação (LAI), abrange 22 cidades da região de Campinas, com a metrópole liderando as estatísticas com 2.376 pedidos no último ano. No total, os municípios somaram 6.938 pedidos em 2025, evidenciando uma tendência preocupante em toda a área.

O que são medidas protetivas e por que são cruciais

A medida protetiva é uma ordem judicial de urgência criada para proteger mulheres que enfrentam ameaças ou violência. Ela pode obrigar o agressor a manter distância da vítima, sob pena de prisão, sendo uma ferramenta essencial prevista pela Lei Maria da Penha para garantir segurança. Não é necessário fazer um boletim de ocorrência para solicitar, e a decisão deve ser cumprida em até 48 horas, oferecendo uma resposta rápida em situações críticas.

Especialistas apontam para subnotificação e discursos de ódio

De acordo com a advogada especialista em gênero, Thaís Cremasco, o crescimento nos pedidos na maioria das cidades indica que as mulheres estão denunciando mais, mas ainda não reflete a realidade completa, devido à subnotificação dos crimes. Ela destacou a falta de políticas públicas efetivas e como os discursos de ódio contra as mulheres, fomentados na internet, podem estar relacionados ao aumento da violência. "A gente não pode olhar a violência contra a mulher como uma situação isolada. É uma estruturação que propicia esse aumento", explica Cremasco, enfatizando a necessidade de ações preventivas.

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Sumaré enfrenta escalada de violência e respostas municipais

A delegada da Delegacia da Defesa da Mulher (DDM) de Sumaré, Nathalia Alves Cabral, afirmou que, embora as mulheres estejam denunciando mais, a violência aumentou de forma considerável. "Eu diria que até eu, que trabalho há 5 anos em DDM, estou assustada com o aumento nos números", disse ela, citando casos de feminicídio e tentativas registrados apenas no início de 2026. A prefeitura de Sumaré, em nota, refutou a ideia de ausência de políticas, atribuindo o aumento ao fortalecimento da rede de proteção e à criação de uma secretaria exclusiva para políticas femininas em maio de 2025.

Queda em algumas cidades não significa segurança

Enquanto a maioria das cidades registrou aumento, algumas tiveram quedas substanciais. Em Hortolândia, os pedidos caíram de 521 em 2024 para 437 em 2025, uma diminuição de 16,1%, mas o município registrou três feminicídios no ano passado. Em Americana, a queda foi de 38,4%, de 597 para 368, com redução nos feminicídios. Thaís Cremasco alerta que essas diminuições não devem ser comemoradas, pois a violência contra a mulher continua aumentando de forma estrutural, muitas vezes devido a dificuldades de acesso às delegacias.

Relatos pessoais destacam o trauma e a busca por justiça

Uma mulher de 34 anos de Campinas relatou como sofreu violências psicológicas e patrimoniais por 15 anos antes de pedir uma medida protetiva após uma agressão física. "Eu não quero virar outra estatística [de feminicídio]. Então, antes ele ficar longe de mim, do que eu num caixão", afirmou. Outra vítima, uma estudante de 24 anos, descreveu como o ex-namorado quebrou seu nariz na frente do filho de 4 anos, levando-a a fugir e solicitar proteção. Esses casos ilustram o ciclo de violência e a importância de denunciar precocemente.

Passo a passo para solicitar medidas protetivas

Mulheres vítimas de violência doméstica podem solicitar medidas protetivas de várias formas:

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  • Presencialmente em delegacias, especialmente nas Delegacias de Defesa da Mulher.
  • Com apoio do Ministério Público ou Defensoria Pública, sem necessidade de advogado e de forma gratuita.
  • Pela internet, via Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo, selecionando a opção de violência doméstica e anexando provas como fotos ou mensagens.

Após o pedido, o juiz analisa o caso e decide em até 48 horas. Em emergências, é recomendado procurar uma delegacia imediatamente, acionar a polícia pelo 190 ou buscar ajuda pelo número 180, canal nacional de atendimento às mulheres.