O Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), referência no atendimento a casos de violência sexual no Norte de Minas Gerais, divulgou dados preocupantes sobre os atendimentos realizados em 2025 e nos primeiros meses de 2026. As informações foram apresentadas durante o mês de mobilização nacional pelo enfrentamento ao abuso e à violência sexual contra crianças e adolescentes.
Perfil das vítimas
De acordo com o levantamento, a maioria das vítimas são crianças do sexo feminino. Em 2025, foram registrados 211 atendimentos, dos quais 142 envolviam menores de idade: 91 crianças (43%) e 51 adolescentes (24%). Já em 2026, até abril, foram 66 atendimentos, sendo 37 casos com menores: 19 crianças (29%) e 18 adolescentes (27%). Em ambos os anos, a predominância de vítimas do sexo feminino foi expressiva: 178 casos em 2025 e 64 em 2026.
Agressores conhecidos
Outro dado relevante é que a maioria dos abusos é cometida por pessoas conhecidas das vítimas. Em 2025, os agressores mais frequentes foram: amigos ou conhecidos (45 casos, 21%), pai (18 casos, 9%), companheiro(a) ou namorado(a) (16 casos, 8%), padrasto ou madrasta (8 casos, 4%), primo(a) (8 casos, 4%) e outros familiares (8 casos, 4%). Em 2026, o perfil se manteve: amigos ou conhecidos (20 casos, 30%), companheiro(a) ou namorado(a) (8 casos, 12%), padrasto ou madrasta (3 casos, 5%), primo(a) (3 casos, 5%), pai (1 caso, 2%) e filho(a) (1 caso, 2%).
A socióloga Theresa Raquel Bethônico Corrêa Martinez, que atua no HUCF, explicou: “A maior parte dos agressores são pessoas conhecidas, de confiança das vítimas. No caso das crianças, são pessoas próximas da rotina, como pais, avôs, tios, padrastos e vizinhos. Já entre adultos, aparecem companheiros ou ex-companheiros.”
Serviços oferecidos e ações preventivas
O HUCF oferece profilaxia contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e realiza interrupção de gravidez nos casos previstos em lei. Em 2025, foram realizados nove abortos legais; em 2026, até abril, já foram feitos 10 procedimentos. A instituição destacou a necessidade de atuação integrada entre saúde, segurança pública e rede de proteção social, além da ampliação de ações preventivas.



