Hospital Colônia de Barbacena fecha definitivamente após transferência dos últimos 12 pacientes
Hospital Colônia de Barbacena fecha após transferir últimos pacientes

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, anunciou o fechamento definitivo do Hospital Colônia de Barbacena, localizado na Zona da Mata mineira. A instituição, que começou a reduzir suas atividades na década de 1980, será encerrada após a transferência dos últimos 12 pacientes que ainda residiam no local.

Transferência dos pacientes

De acordo com o Governo de Minas, esses pacientes não possuem vínculo familiar, não falam e apresentam condições de saúde bastante específicas. Eles serão levados para outra instituição no município, permanecendo sob responsabilidade da prefeitura. O g1 tentou contato com a Prefeitura de Barbacena para saber o destino exato, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Segundo o governador, a transferência deve ocorrer no próximo mês.

“Nós vamos passar um cadeado nessa fase da história de Barbacena. As últimas 12 pessoas que não têm famílias e que continuam internadas vão ser transferidas para outras instituições, com uma lógica muito diferente da lógica atual, uma lógica que continua sendo muito humanizada, como já é hoje, mas fora da estrutura para que a gente possa encerrar este capítulo”, explicou Simões durante sua passagem por Barbacena, que é a capital itinerante de Minas até quinta-feira (30).

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O que é o Hospital Colônia hoje

Atualmente, o antigo Hospital Colônia funciona como Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHBP), focado em tratamento humanizado. O local também abriga o Museu da Loucura, que preserva a memória do que foi o maior manicômio do Brasil.

Histórico de violações de direitos humanos

O Hospital Colônia de Barbacena é tristemente conhecido por graves violações de direitos humanos ocorridas ao longo do século 20. Criado em 1903, recebia pessoas com transtornos mentais sem qualquer diagnóstico. Os pacientes eram internados compulsoriamente e submetidos a condições desumanas. Apenas 30% deles tinham diagnóstico de doença mental; os demais incluíam homossexuais, militantes políticos, grávidas, pessoas com deficiências, transtornos ou distúrbios como síndrome de Down, autismo e dislexia, além de mulheres rejeitadas pelos maridos ou que haviam perdido a virgindade antes do casamento.

Estima-se que cerca de 60 mil pessoas morreram na instituição ao longo de décadas, vítimas de abandono, maus-tratos e condições desumanas. Os ambientes eram extremamente precários: os pacientes dormiam no chão frio, cobertos apenas por capim seco, em um modelo conhecido como “leito único”. Muitos internos não tiveram enterro digno; em alguns casos, seus corpos foram vendidos para faculdades de medicina.

Recentemente, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pediu desculpas públicas por ter adquirido cadáveres de pacientes do Colônia para uso em aulas de anatomia dos cursos de Saúde. As atrocidades cometidas no local renderam o apelido de “Holocausto brasileiro”, título do livro da jornalista Daniela Arbex, que documenta os genocídios ocorridos na instituição.

Visita ao Museu da Loucura

O Museu da Loucura, instalado no antigo hospital, é aberto à visitação e conta a história do manicômio e de seus pacientes. É um espaço de memória e reflexão sobre as violações de direitos humanos no Brasil.

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