As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completaram 25 dias nesta quarta-feira (28) no Maranhão, entrando na quarta semana sem qualquer vestígio do paradeiro das crianças. O caso, que tem comovido o país, ocorreu no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, onde os menores desapareceram no dia 4 de janeiro.
Força-tarefa reduzida após varreduras intensivas
Uma força-tarefa criada logo após o desaparecimento segue atuando em áreas de mata e na outra margem do Rio Mearim, onde cães farejadores identificaram cheiro compatível com o dos irmãos. Mesmo após varreduras minuciosas por terra, água e ar, utilizando inclusive tecnologia de sonar, as equipes não encontraram novos indícios. Diante da falta de pistas concretas, a força-tarefa foi reduzida, enquanto a investigação policial foi intensificada.
O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, que integra a força-tarefa, afirmou que "enquanto não tiver localização de mais indícios, tudo pode ter acontecido". Ele destacou que nenhuma linha de investigação está sendo descartada, porém a principal hipótese continua sendo a de que os meninos se perderam na mata densa da região.
Sistema Amber Alert em ação
A força-tarefa conta com apoio do protocolo Amber Alert, acionado em situações consideradas de risco para crianças desaparecidas. Segundo Iara Buono Sennes, coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas do Ministério da Justiça, "o alerta Amber tem sido uma ferramenta importante de localização de crianças desaparecidas".
O sistema, implementado no Brasil desde 2023 através de acordo com a Meta, emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas como Facebook e Instagram para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
Dados alarmantes de desaparecimento no Maranhão
Enquanto as buscas pelos irmãos continuam, os dados oficiais revelam um cenário preocupante no estado. O Maranhão registrou 1.182 casos de pessoas desaparecidas em 2025, considerando todas as faixas etárias, segundo informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Esses casos representam uma taxa de 16,84 desaparecimentos por 100 mil habitantes, colocando o estado na 15ª posição no ranking nacional. A legislação brasileira define pessoa desaparecida como "todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento", conforme a Lei 13.812/2019 que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas.
Como comunicar desaparecimentos no Maranhão
No estado, o Programa Desaparecidos é parte das ações desenvolvidas pelo Disque-Denúncia. Qualquer cidadão que queira comunicar casos de desaparecimento, encontros de desaparecidos, ou prestar informações que auxiliem nas buscas, pode fazê-lo através dos seguintes canais:
- Telefone: 181 (capital) ou 0800-313-5800 (interior)
- WhatsApp: (98) 99224-8660
As informações prestadas são incorporadas ao banco de dados do CIOPS, mas é fundamental que o fato tenha registro de ocorrência em uma delegacia para validar o processo de busca.
Recorde histórico de desaparecimentos no Brasil
Os números nacionais são ainda mais alarmantes. Em todo o Brasil, houve o registro de 84.760 casos de pessoas desaparecidas em 2025, incluindo todas as faixas etárias. Este é o maior número de registros desde o início da série histórica do painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas do Sinesp, que começou em 2015, superando inclusive os índices registrados antes da pandemia de Covid-19.
A taxa nacional de pessoas desaparecidas em 2025 foi de 39 casos a cada 100 mil habitantes. O estado de São Paulo lidera em números absolutos com 20.564 desaparecidos, representando 24% do total nacional. Porém, considerando o tamanho da população, Roraima apresenta a taxa mais preocupante: aproximadamente 80 desaparecimentos por 100 mil habitantes.
Desaparecimento de crianças e adolescentes
Quando o foco são os menores de idade, os dados revelam uma situação particularmente grave. O Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em 2025, o que representa uma média de 66 desaparecimentos de menores de 18 anos por dia.
Este número representa uma alta de 8% em relação a 2024, quando foram notificados uma média de 60 desaparecimentos diários nessa faixa etária. Do total de crianças e adolescentes desaparecidos em 2025:
- 61% (14.658 pessoas) eram do sexo feminino
- 38% (9.159) eram do sexo masculino
- Em 102 casos, o sexo não foi informado
As maiores taxas de crianças e adolescentes desaparecidos por 100 mil habitantes foram registradas em Roraima (40 desaparecidos), seguido por Rio Grande do Sul (28) e Amapá (24). No Maranhão, a taxa foi de 0,9 crianças e adolescentes desaparecidos por 100 mil habitantes no ano passado.
Ranking nacional por estados
A seguir, a lista completa dos estados brasileiros com seus respectivos números de desaparecimentos e taxas por 100 mil habitantes em 2025:
- São Paulo: 20.546 casos (taxa: 44,59)
- Minas Gerais: 9.139 casos (taxa: 42,72)
- Rio Grande do Sul: 7.611 casos (taxa: 67,75)
- Paraná: 6.455 casos (taxa: 54,29)
- Rio de Janeiro: 6.331 casos (taxa: 36,76)
- Santa Catarina: 4.317 casos (taxa: 52,73)
- Bahia: 3.929 casos (taxa: 26,42)
- Goiás: 3.631 casos (taxa: 48,91)
- Pernambuco: 2.745 casos (taxa: 28,71)
- Ceará: 2.578 casos (taxa: 27,81)
- Espírito Santo: 2.421 casos (taxa: 58,66)
- Distrito Federal: 2.235 casos (taxa: 74,58)
- Mato Grosso: 2.112 casos (taxa: 54,24)
- Pará: 1.238 casos (taxa: 14,21)
- Maranhão: 1.182 casos (taxa: 16,84)
- Rondônia: 1.018 casos (taxa: 58,11)
- Amazonas: 982 casos (taxa: 22,72)
- Paraíba: 929 casos (taxa: 22,31)
- Rio Grande do Norte: 775 casos (taxa: 22,43)
- Piauí: 744 casos (taxa: 21,98)
- Alagoas: 729 casos (taxa: 22,63)
- Sergipe: 728 casos (taxa: 31,66)
- Tocantins: 609 casos (taxa: 38,38)
- Roraima: 577 casos (taxa: 78,1)
- Acre: 413 casos (taxa: 46,7)
- Amapá: 408 casos (taxa: 50,59)
- Mato Grosso do Sul: 378 casos (taxa: 12,92)
Enquanto as estatísticas nacionais mostram números recordes, no Maranhão a busca pelos irmãos Ágatha e Allan continua, representando um entre os milhares de casos que desafiam as autoridades de segurança pública em todo o país. A esperança das famílias e a dedicação das equipes de busca mantêm viva a expectativa de resolução deste e de tantos outros casos de desaparecimento que marcam a realidade brasileira.