Bauru possui 15 favelas e 3 mil famílias sem infraestrutura básica, revela IBGE
Bauru tem 15 favelas e 3 mil famílias sem infraestrutura

Bauru possui 15 favelas e 3 mil famílias sem infraestrutura básica, revela IBGE

Bauru, cidade localizada no interior do estado de São Paulo, possui atualmente 15 áreas classificadas como favelas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados mais recentes do Censo, nessas localidades residem aproximadamente 3 mil famílias que enfrentam a falta de acesso a infraestrutura urbana essencial para uma vida digna.

Cenário de exclusão urbana em números

O levantamento realizado pelo IBGE expõe um quadro alarmante de carências estruturais que afetam diretamente o cotidiano dos moradores. Entre os principais problemas identificados, destacam-se:

  • 90% dos residentes vivem próximos a vias que não possuem pontos de ônibus, dificultando a mobilidade urbana.
  • Quase 30% das famílias não contam com iluminação pública adequada em suas ruas, aumentando os riscos de segurança.
  • 80% dos moradores residem em logradouros sem calçadas, o que compromete a acessibilidade pedestre.
  • Mais de 70% das vias não são asfaltadas, agravando problemas de alagamento e poeira, especialmente em períodos chuvosos.

Histórico de abandono e relatos de moradores

Os problemas de infraestrutura não são recentes. Muitas dessas comunidades foram estabelecidas há décadas, como parte de processos de desfavelamento, mas enfrentam um abandono crônico por parte do poder público. Um exemplo emblemático é a região conhecida como Piquete 1, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, ocupada após a realocação de famílias da comunidade Quinta da Bela Olinda há quase dez anos.

Andressa de Paula, trabalhadora como faxineira, relata as dificuldades enfrentadas diariamente: "Quando chove, descem todos os lixos, porque os bueiros são tampados. A gente sofre mais, porque alaga todas as casas, é muito triste". Ela conseguiu sair do aluguel há nove anos, mas ainda vive em uma área irregular, sem as condições mínimas de saneamento e urbanização.

Arnaldo Medrade de Carvalho, presidente da associação de moradores, expressa o sentimento de exclusão: "Nós nos sentimos abandonados, excluídos da população de Bauru". Ele destaca que o único centro comunitário da região está abandonado há cerca de 20 anos, sendo utilizado atualmente como depósito de entulho e abrigo para usuários de drogas. Antes, o espaço era um local de convivência, oferecendo cursos, aulas de capoeira e atividades para a comunidade.

Leda Maria Pereira, mestre de capoeira, lamenta a perda desse espaço social: "A gente tinha 50 crianças inscritas e é decepcionante, porque a gente vê o tanto de outras crianças que poderiam ter a oportunidade que essas crianças tiveram no passado e, pela situação, é impossível".

Possíveis soluções e a regulamentação das Zeis

Especialistas em urbanismo apontam que a regulamentação das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) pode ser um caminho para enfrentar esses desafios. As Zeis são áreas destinadas à moradia da população de baixa renda, permitindo investimentos em regularização fundiária e infraestrutura urbana.

José Xaides, urbanista e professor da Unesp, explica a importância dessas zonas: "Quando as Zeis estão completas, elas não regulam apenas as construções e a posse das casas e dos lotes, mas também os programas de educação, saúde, meio ambiente e capacitação socioinclusiva. Ou seja, é um pacote inteiro que as prefeituras precisam regulamentar".

Posicionamento da Prefeitura de Bauru

Em resposta às demandas, o secretário de Habitação de Bauru, Anderson Prado, informou que o projeto de regulamentação das Zeis já foi encaminhado para análise no Plano Diretor da cidade. Ele afirmou: "São áreas que vão garantir que as comunidades que necessitem de regularização e de investimentos sociais tenham mais acesso e mais facilidade".

A Secretaria de Habitação também destacou que realiza ações para melhorar a estrutura dessas áreas e que há projetos previstos para os próximos anos, visando a redução do déficit habitacional e a promoção de melhorias urbanísticas.

Os dados do IBGE reforçam a urgência de políticas públicas eficazes para combater a exclusão urbana em Bauru, garantindo direitos básicos como moradia digna, saneamento e mobilidade para milhares de famílias que vivem em condições precárias.