Denúncia de agressões em creche municipal de Iacanga mobiliza autoridades
Um caso grave de supostos maus-tratos contra crianças vem causando comoção na cidade de Iacanga, no interior de São Paulo. Mães de quatro crianças, com idades entre um e dois anos, denunciaram agressões cometidas por uma cuidadora na Escola Municipal Maria Aparecida Andozia Castro. O episódio teria ocorrido no dia 14 de janeiro, mas só veio à tona na segunda-feira, 26 de janeiro, quando as famílias tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança da instituição.
Revelação chocante através de gravações
As mães relataram que ficaram sabendo das agressões apenas após visualizarem os vídeos da creche. As imagens, que não foram divulgadas publicamente, mostram cenas perturbadoras envolvendo a funcionária suspeita. De acordo com os depoimentos, é possível observar a cuidadora empurrando as crianças com violência, forçando a alimentação e aplicando tapas na cabeça dos pequenos.
Após tomarem conhecimento do conteúdo das gravações, as famílias buscaram orientação do Conselho Tutelar local e, seguindo as recomendações, registraram um boletim de ocorrência por maus-tratos na delegacia. A cuidadora envolvida nas denúncias foi afastada de suas funções imediatamente após outra funcionária da creche relatar o caso à Secretaria Municipal de Educação.
Relatos emocionados das mães das vítimas
Jaqueline Roberta Canhiçari, mãe de uma das crianças agredidas, descreveu com detalhes a cena que presenciou nas gravações. "Meu filho estava quieto chupando uma laranja depois da refeição quando ela empurrou a cadeira dele violentamente. Ele se assustou, se afastou e a laranja caiu de sua mão. Acredito que ela mandou ele pegar a fruta, pois no vídeo não há áudio. Como ele não obedeceu, ela o pegou pelo braço, levantou e jogou com força no chão. Quase bateu a cabeça na quina de uma mesa. Ele ficou chorando sem reação", relatou emocionada.
A mãe complementou: "Você sai para trabalhar e assiste a uma coisa dessas com seu filho. É difícil ver as imagens, é muito dolorido. Não dá para descrever o que você sente".
Outros casos de violência registrados
Pamela Heloísa de Siqueira Martins, outra mãe que também visualizou as gravações, contou que a cuidadora foi agressiva com seu filho durante a alimentação. "Meu filho estava comendo sozinho, quietinho no cantinho dele. Ele tem essa característica de não gostar que mexam nele, temos esse cuidado em casa. Ela insistia em enfiar a colher na boca dele. Ele dizia 'não' e balançava a cabeça negativamente. Ela simplesmente empurrou a cabeça dele com força e puxou pelo bracinho", explicou.
As outras duas crianças também aparecem nas imagens sendo vítimas de agressões. É importante destacar que as quatro crianças não são alunas regulares da creche, estavam frequentando o local apenas durante o período de férias escolares.
Investigações em andamento
A Polícia Civil solicitou as gravações das câmeras de segurança e instaurou um termo circunstanciado, procedimento administrativo similar a um inquérito policial, para investigar o caso registrado como maus-tratos. De acordo com a corporação, todos os envolvidos serão ouvidos nos próximos dias, incluindo:
- Pais das crianças agredidas
- Membros da Secretaria Municipal de Educação
- Funcionários da creche municipal
- A cuidadora suspeita das agressões
Paralelamente, a Secretaria Municipal de Educação abriu um processo administrativo interno para apurar os fatos com rigor, mantendo a funcionária afastada de suas atividades enquanto as investigações seguem seu curso.
O caso reforça a importância da vigilância constante em instituições de educação infantil e a necessidade de mecanismos eficazes de proteção às crianças, especialmente em ambientes que deveriam ser seguros e acolhedores para o desenvolvimento dos pequenos.