Projeto 'Cinturão de Segurança' prevê muralha de 4 km em Bangu com investimento de R$ 3,9 milhões
O Governo do Estado do Rio de Janeiro está avançando com um ambicioso projeto de segurança para o Complexo Penitenciário de Gericinó, localizado em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense. Batizado de 'Cinturão de Segurança', a iniciativa envolve a construção de uma extensa barreira física de aproximadamente quatro quilômetros ao redor do maior complexo prisional do país, com um custo estimado em quase R$ 4 milhões.
Detalhes técnicos e estruturais da obra
Elaborado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), o projeto prevê uma estrutura contínua que cercará todo o perímetro do complexo. A altura da muralha variará entre 3 e 3,60 metros, adaptando-se às características do terreno, que inclui áreas encharcadas e pantanosas. A construção contará com:
- Fundação em concreto armado com viga baldrame
- Base de alvenaria em blocos de concreto preenchidos
- Mourões curvos de concreto armado com altura útil de 2,5 metros
- Rede laminada galvanizada em malha tipo losango
- Barreira de proteção do tipo concertina dupla no topo
Além disso, o sistema de segurança será complementado com concertinas eletrificadas e sensores de presença por infravermelho, capazes de detectar movimentações suspeitas no entorno do complexo.
Investimento e cronograma de execução
O valor total estimado para a obra é de R$ 3,8 milhões, já incluindo Benefícios e Despesas Indiretas (BDI). Os maiores gastos estão concentrados em:
- Alvenaria e divisórias: R$ 1.229.208,39 (31,58% do total)
- Estruturas: R$ 994.422,32 (25,55%)
- Administração local: R$ 324.118,96 (8,33%)
- Movimento de terra: R$ 310.724,91 (7,98%)
O prazo estimado para conclusão é de oito meses a partir do início das obras, conforme cronograma técnico apresentado. Atualmente, o processo de licitação está em tramitação interna, seguindo os ritos administrativos previstos em lei.
Contexto de segurança e justificativa do projeto
A necessidade do reforço no perímetro do complexo está diretamente relacionada ao crescimento desordenado de áreas dominadas pelo narcotráfico e às disputas territoriais entre facções criminosas e milícias no entorno de Bangu. Segundo a Seap, esses fatores elevam significativamente o risco de tentativas de invasão, resgates de presos e ações violentas contra agentes penitenciários.
O Complexo Penitenciário de Gericinó abriga 22 unidades prisionais, três hospitais penitenciários e uma Unidade Materno-Infantil, concentrando cerca de 24,5 mil detentos. A proposta do 'Cinturão de Segurança' visa ampliar a proteção nos arredores dessas instalações, reduzir vulnerabilidades e modernizar a vigilância externa.
Evento recente que reforça a urgência
Em dezembro do ano passado, policiais penais frustraram uma tentativa de fuga no Complexo de Gericinó que contava com apoio externo. Criminosos que dariam suporte aos detentos acabaram se dirigindo à unidade errada e foram flagrados no entorno do Presídio Lemos de Brito, onde a movimentação suspeita foi dispersada com um tiro de advertência. No local, foram apreendidas ferramentas para cortar estruturas metálicas e uma escada improvisada.
Dentro do Presídio Nelson Hungria, quatro presos chegaram a iniciar o corte das grades das celas e foram transferidos para a Penitenciária de Segurança Máxima Bangu 1. Este incidente destacou a vulnerabilidade do complexo e reforçou a argumentação para investimentos em segurança perimetral.
A Seap informou que o projeto integra um plano emergencial de reforço da blindagem física do Complexo de Gericinó, e que o cronograma definitivo será consolidado após a conclusão do processo licitatório. A expectativa é que, uma vez implementado, o 'Cinturão de Segurança' represente um avanço significativo na proteção do maior complexo prisional brasileiro.