DPU aciona Justiça por direitos de indígenas Yanomami em situação de rua em Boa Vista
DPU aciona Justiça por indígenas Yanomami em Boa Vista

DPU entra com ação para garantir direitos de indígenas Yanomami em Boa Vista

A Defensoria Pública da União (DPU) em Roraima ingressou com uma ação na Justiça Federal para assegurar direitos fundamentais a indígenas do povo Yanomami que se encontram em situação de vulnerabilidade social na capital Boa Vista. O pedido abrange atendimento emergencial, incluindo moradia, alimentação e assistência social. O caso envolve 16 indígenas Sanumá, um subgrupo do povo Yanomami, que vivem em situação de rua no bairro Jardim Tropical, localizado na zona Oeste da cidade. O grupo é composto por quatro crianças, três adolescentes e nove adultos, dos quais oito são estudantes.

A ação foi protocolada em 15 de maio na 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Roraima. No documento, a DPU solicita que a União, o governo de Roraima, a prefeitura de Boa Vista e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sejam responsabilizados de forma conjunta pela garantia dos direitos do grupo. A prefeitura informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a ação e que, assim que receber a notificação, analisará o processo para adotar as medidas cabíveis dentro de suas competências legais e institucionais. A gestão municipal acrescentou que mantém atendimento a populações em situação de vulnerabilidade social, incluindo indígenas, por meio da rede socioassistencial do município. A Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) também afirmou que não foi formalmente intimada sobre a ação, mas que acompanha e presta auxílio aos indígenas Sanumá desde 2025, com ações de assistência social voltadas à população vulnerável. O g1 também procurou os outros órgãos citados, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem.

Contexto da situação de vulnerabilidade

Segundo a Defensoria Pública, os indígenas fazem parte de um grupo maior que deixou a Terra Indígena Yanomami entre 2022 e 2024, em meio a um aumento de conflitos, violência, falta de alimentos e a necessidade de tratamento médico de uma criança, atualmente com 7 anos. Em janeiro de 2026, uma vistoria identificou que as famílias estavam abrigadas sob lonas plásticas improvisadas, sem acesso a saneamento básico, água potável ou energia elétrica. Atualmente, o grupo não consegue retornar ao território indígena porque depende do tratamento contínuo da criança, que tem diagnóstico de microcefalia congênita, epilepsia e tetraplegia espástica. Ela precisa de acompanhamento médico especializado, como neurologia e fisioterapia, que não estão disponíveis na região indígena, conforme o documento.

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Pedidos da DPU

Na ação, a DPU requereu uma tutela provisória de urgência, ou seja, uma decisão imediata da Justiça para garantir medidas antes do fim do processo. Entre elas estão o aluguel social ou moradia temporária para o grupo, definida em acordo com a liderança indígena e próxima às escolas frequentadas pelos estudantes. A Defensoria também solicitou o fornecimento de alimentação, água, energia elétrica, itens de higiene e segurança até a implementação de uma solução habitacional definitiva, além da realização de um levantamento dos indígenas em situação de rua em Boa Vista para identificar necessidades de saúde, casos de subnutrição e auxiliar na regularização de documentos.

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Notas das autoridades

Prefeitura de Boa Vista: A Prefeitura de Boa Vista informa que ainda não foi oficialmente notificada acerca da Ação Civil Pública ajuizada pela Defensoria Pública da União (DPU). Assim que houver a notificação formal, o Município analisará integralmente o conteúdo da ação para adoção das medidas cabíveis, dentro de suas competências legais e institucionais. A gestão municipal reforça que mantém atuação permanente no atendimento às populações em situação de vulnerabilidade social, inclusive indígenas em contexto de mobilidade e risco social, por meio da rede socioassistencial do município, com ações de abordagem social, encaminhamentos, atendimentos técnicos e articulação interinstitucional. A Prefeitura destaca ainda que a questão indígena em Roraima envolve elevada complexidade humanitária, social e federativa, exigindo atuação integrada entre União, Estado e Município, especialmente dos órgãos federais responsáveis pela política indigenista e pela proteção dos povos originários. Sobre as alegações de omissão apontadas pela DPU, o Município entende que o enfrentamento da situação demanda corresponsabilidade entre os entes públicos e ressalta que vem colaborando, dentro de suas atribuições e limitações legais, para minimizar os impactos sociais enfrentados pela população indígena em Boa Vista. Por fim, a Prefeitura reafirma seu compromisso com a dignidade humana, a proteção social e o diálogo institucional na construção de soluções conjuntas para o atendimento adequado às populações indígenas em situação de vulnerabilidade.

Governo de Roraima: A Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social informa que, até o presente momento, não foi formalmente intimada acerca da Ação Civil Pública ajuizada pela Defensoria Pública da União. Ressalta ainda que a Setrabes realiza o acompanhamento e presta auxílio aos indígenas do povo Sanumá desde o ano de 2025, por meio do mapeamento realizado pela Coordenação de Monitoramento, Avaliação e Gestão da Informação da Assistência Social, com ações voltadas ao atendimento e à assistência social da população em situação de vulnerabilidade. A Secretaria reforça que, tão logo seja oficialmente intimada, por intermédio da Procuradoria-Geral do Estado, prestará os esclarecimentos e informações cabíveis nos autos do processo.