O suspeito de assassinar a estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, tentou oficializar o relacionamento com a vítima após o crime. As investigações da Polícia Civil de Minas Gerais indicam que o homem tinha interesse no patrimônio da jovem, que havia herdado um imóvel avaliado em R$ 900 mil do pai.
Adalton Martins Gomes, de 45 anos, foi preso preventivamente na última sexta-feira (15). O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como feminicídio após laudo de necropsia apontar asfixia por sufocação direta.
Relação curta e interesse patrimonial
O suspeito e a vítima estavam juntos há apenas quatro meses. Adalton ainda é casado no papel com a ex-mulher, com quem tem quatro filhos. Mesmo assim, ele tentou comprovar união estável com Giovanna após a morte dela.
“Ele ajuizou uma ação de reconhecimento de união estável post mortem. Mandou vários áudios para as amigas da vítima, inclusive de forma intimidatória, para que o ajudassem nesse reconhecimento formal. O que tudo indica é que há um interesse patrimonial envolvido”, afirmou a delegada Ariadne Coelho, do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa.
Segundo o advogado da família de Giovanna, José Eustáquio Alves Júnior, a jovem herdou do pai o apartamento onde morava, avaliado em cerca de R$ 900 mil, e ainda tinha R$ 200 mil a receber. “De imediato, após dias de namoro, ele já trocou a conta de luz da casa, colocando em nome dele. Eu era advogado da Giovanna em processos de alimentos e inventário. O Adalton foi ao escritório pedir que eu renunciasse aos processos, dizendo que colocaria um novo advogado para resolver os casos dela”, relatou.
O crime
Imagens do circuito de segurança registraram o momento em que o suspeito deixou o prédio na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, no dia do crime. Horas depois, o corpo de Giovanna foi encontrado por uma amiga, Ludmylla Aparecida Dias, que estranhou o fato de a estudante não responder mensagens nem comparecer a um almoço marcado.
“Ele acabou, destruiu a vida dela. Acabou com os sonhos dela. Giovanna tinha sonhos, a Giovanna tinha futuro”, lamentou Ludmylla.
Segundo a Polícia Civil, elementos como caixas de medicamentos espalhados pela casa e o histórico depressivo da jovem fizeram com que o caso fosse inicialmente interpretado como suicídio. A reviravolta veio com o laudo de necropsia, que constatou que a jovem morreu por asfixia causada por sufocação direta, e não por intoxicação.
“Nós tivemos o resultado definitivo do laudo de necrópsia, que constatou que houve sufocação, asfixia por sufocação direta, ou seja, obstrução externa dos orifícios respiratórios, seja por meio de um travesseiro, seja pelas próprias mãos”, explicou a delegada Ariadne Coelho.
O g1 não conseguiu contato com a defesa de Adalton Martins Gomes.



