A Polícia Civil iniciou na noite desta terça-feira (12) a reconstituição da ação da Brigada Militar (BM) que resultou na morte do agricultor Marcos Nörnberg, ocorrida em janeiro deste ano em Pelotas, no Rio Grande do Sul. A simulação está sendo realizada na propriedade da família, com o objetivo de auxiliar na investigação do caso.
Detalhes da reconstituição
A reconstituição será dividida em duas etapas. A primeira, que ocorre na noite de terça e deve se estender pela madrugada, considera a versão apresentada pelos policiais militares em depoimento. Os próprios agentes que participaram da ação em janeiro estão presentes na simulação. Para a quarta-feira (13), está prevista a segunda parte, que abordará a versão de Raquel Nörnberg, viúva do agricultor. O objetivo é confrontar os diferentes relatos sobre o que aconteceu no dia do fato. Ainda não há prazo definido para a conclusão do inquérito.
Importância da reprodução
Durante uma coletiva de imprensa na tarde desta terça, o diretor do Departamento de Homicídios do Interior, Thiago Carrijo, explicou a importância da reprodução para a investigação. "A reconstituição vai chegar, muito provavelmente, nos pontos que a Polícia Civil precisa esclarecer", afirmou Carrijo. "O inquérito policial é analisado como um todo. O que nós vamos produzir hoje e amanhã vai ser analisado de forma conjunta com o que a delegada Walquíria (Meder) ouviu na madrugada ou no dia 15 de janeiro. É um contexto", completou o diretor.
Novas investigações após conclusão do inquérito
Em abril, a promotoria de Justiça com atuação na 2ª Auditoria Militar pediu novas investigações no Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou o caso. Antes, em março, a Corregedoria-Geral da BM havia concluído que não houve nenhum crime militar na conduta dos policiais envolvidos, não realizando nenhum indiciamento. A conclusão foi, depois, confirmada pelo Comando-Geral da corporação, que viu apenas transgressões disciplinares — supostos erros dos militares que não são considerados crimes. Posteriormente, a promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs apontou "fortes indícios de abuso de autoridade por parte dos oficiais" que coordenaram a operação. Ela também afirmou que há elementos que sugerem a prática de tortura psicológica contra a esposa da vítima, Raquel Nornberg.
Relembre o caso
O fato aconteceu na madrugada de 15 de janeiro. De acordo com a esposa da vítima, o casal estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada na Estrada da Cascata. Marcos teria saído para verificar e, em seguida, ela ouviu gritos e disparos. O homem morreu no local. A Polícia Civil confirmou que se tratava de uma ação da Brigada Militar e que os agentes estavam em busca de uma quadrilha da região. O comandante-geral da BM à época, Cláudio Feoli, admitiu que houve um "grande equívoco" na ação. Ele explicou o contexto preliminar que levou à ação na propriedade rural. Segundo Feoli, dois membros do grupo criminoso que era buscado em Pelotas foram presos no Paraná e deram pistas sobre a localização dos outros suspeitos. A indicação, porém, teria induzido os PMs ao erro.



