O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, já condenado pelo assassinato do policial militar Thiago de Souza Ruiz, foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por tentativa de homicídio qualificado contra outro investigador da corporação, Walfredo Raimundo Adorno Moura Júnior. A denúncia foi apresentada nesta segunda-feira (18) e, com ela, Mário Wilson perdeu o cargo público após a Justiça acolher os embargos de declaração do MP.
A nova acusação baseia-se em informações reveladas durante o julgamento do Tribunal do Júri, realizado entre os dias 12 e 14 de maio. Segundo o MP, Walfredo, que atuou como testemunha ocular do homicídio durante o julgamento, relatou ter sido alvo direto dos disparos feitos pelo denunciado. O investigador afirmou que escapou de ser atingido por pouco e precisou recuar para não ser alvejado.
Ele disse ainda que não havia revelado anteriormente essa circunstância por receio, já que o acusado era seu colega de profissão. Conforme o Ministério Público, o relato da testemunha é compatível com as imagens registradas por câmeras de segurança.
Durante o depoimento, o investigador Walfredo se emocionou ao lembrar do caso e pediu desculpas à mãe de Thiago, que acompanha o júri, por não ter conseguido salvar o amigo.
Condenação por morte de PM
No terceiro e último dia de julgamento, Mário Wilson foi condenado a dois anos de prisão pelo assassinato do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em Cuiabá. O crime ocorreu em abril de 2023, em uma conveniência da capital. Mário deverá cumprir a pena em regime aberto. Além disso, foi determinada a retirada da tornozeleira eletrônica que ele utilizava.
O Conselho de Sentença reconheceu que o investigador foi o autor dos disparos que atingiram o policial militar e não absolveu o acusado. A defesa de Mário Wilson informou que vai analisar se recorrerá ou não da decisão.
Relembre o caso
Em abril de 2023, as equipes do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria-Geral foram acionadas para atender uma ocorrência de homicídio em uma conveniência de um posto de combustível ao lado da Praça 8 de abril, na capital. Segundo a polícia, Thiago foi socorrido e encaminhado para um hospital particular, onde foi realizado procedimento de reanimação, mas ele não resistiu aos ferimentos.
Na época, a PM informou que uma equipe foi até o hospital e encontrou o policial suspeito, que entregou as armas. O policial civil foi preso em flagrante por homicídio qualificado, ainda no dia do crime, após se apresentar na delegacia.



